domingo, 14 de novembro de 2010

MOSTRA DE CINEMA E DIREITOS HUMANOS - 5ª MOSTRA 2010 PROGRAMAÇÃO

5ª MOSTRA DE CINEMA E DIREITOS HUMANOS - 2010
PROGRAMAÇÃO EM TERESINA - PI
Prezados/as,

No próximo dia 11 de novembro, às 19h30, na SALA TORQUATO NETO, no CLUBE DOS DIÁRIOS, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a Coordenadoria Estadual de Direitos Humanos e da Juventude do Estado do Piauí, em parceria com a Cinemateca Brasileira e com a Petrobrás realizam o LANÇAMENTO da 5ª MOSTRA CINEMA E DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA DO SUL, cuja programação anexa, vai ser desenvolvida no período de 11 a 17 de novembro, como uma iniciativa anual de celebração do aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos por meio da linguagem cinematográfica.


Neste sentido, nos sentiremos honrados com a presença de vocês desde a abertura do evento, que será constituída pela exibição de filme e, em seguida, um coquetel de recepção no próprio local.


Por favor, confirme a participação na abertura através do e-mail alyne.mostra@bol.com.br.

Segue, também, convite virtual.


Paz e Bem!

Alci Marcus Ribeiro Borges
Coordenadoria de Direitos Humanos e da Juventude do PI



Theatro 4 de Setembro - Sala Torquato Neto
150 lugares
(86) 3222-7100
R. Álvaro Mendes, s/n – Centro, Teresina – PI, próximo ao Banco do Brasil

ENTRADA FRANCA

11/11 – QUINTA-FEIRA
19:00h e 00:30min – Sessão de Abertura Classificação indicativa: 14 anos
VIDAS DESLOCADAS - João Marcelo Gomes (Brasil, 13 min, 2009, doc) DIREITO DOS REFUGIADOS/ DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
SINOPSE: Os palestinos são o único povo reconhecido pela república socialista do Iraque como refugiados. Após a queda da Saddam Hussein, eles perderam o direito de permanecer naquele país. Faez Abbas e Salha Nasser saíram do país em 2003 e, durante quatro anos, viveram em campos de refugiados em Al-Ruweyshed, entre o Iraque e a Jordânia. Em setembro de 2007 o casal foi reassentado no Brasil, junto a outros 120 refugiados palestinos. De acordo com a ONU, existem atualmente cerca de 4,7 milhões de refugiados palestinos no mundo todo.
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PERDÃO, MISTER FIEL - Jorge Oliveira (Brasil, 95 min, 2009, doc) DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE/ COMBATE À TORTURA/ DEMOCRACIA E DIREITOS HUMANOS
SINOPSE: A morte sob tortura do operário comunista Manoel Fiel Filho por agentes da repressão, em 1976, nos porões do DOI-CODI de São Paulo, é a base do documentário que discute a intervenção dos Estados Unidos nos países da América do Sul, nas décadas de 1970 e 80, e a caça impiedosa aos comunistas, através da “Operação Condor”, idealizada pela CIA, e adotada pelo regime do general chileno Augusto Pinochet. Com entrevistas realizadas no Brasil, Estados Unidos, Chile e Argentina, trinta personalidades, entre as quais três presidentes do Brasil, além de historiadores, escritores, militantes dos Direitos Humanos, ex-presos e exilados políticos contam suas experiências pessoais e analisam o contexto político nacional e internacional que motivou a barbárie da ditadura militar. Uma gravação inédita do ex-presidente Ernesto Geisel revela a repercussão da morte de Manoel Fiel Filho nos bastidores do governo militar, e que culminou com a demissão do General Ednardo, Comandante do II Exército na época. Pela primeira vez, um documentário conta como morreram alguns jovens que se rebelaram contra a ditadura militar no Brasil.
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...12/11 - SEXTA-FEIRA


13:00h e 00:30min
ENSAIO DE CINEMA - Allan Ribeiro (Brasil, 15 min, 2009, fic) - DIREITO DO IDOSO
SINOPSE: “Ele dizia que o filme começava com uma câmera muito suave, com um zoom muito delicado, e avançava em busca de Barbot.”
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108 - Renate Costa (Paraguai/ Espanha, 91 min, 2010, doc) - DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE / CIDADANIA LGBT / COMBATE À TORTURA Classificação indicativa: 12 anos
SINOPSE: De todos os meus tios, Rodolfo foi o único que não quis ser ferreiro como meu avô: queria ser bailarino. A busca pelos rastros de sua vida leva a descobrir que na década de 1980 no Paraguai da ditadura Stroessner, Rodolfo foi incluído em uma das “108 listas de homossexuais”, preso e torturado. A história de Rodolfo revela uma parte da história oculta e silenciada de meu país. Em 108, duas gerações se enfrentam cara a cara, e o resultado permite que cada um de nós entenda seu lugar no mundo.
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15:00h e 00:30min
VLADO, 30 ANOS DEPOIS - João Batista de Andrade (Brasil, 85 min, 2005, doc) Classificação indicativa: 14 anos
DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE / COMBATE À TORTURA
SINOPSE: Por meio de depoimentos, o documentário reconstrói o caso de tortura do jornalista Vladimir Herzog, morto numa cela do DOI-CODI em SP.
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17:00h e 00:30min
A HISTÓRIA OFICIAL - Luis Puenzo (Argentina, 114 min, 1985, fic) Classificação indicativa: 16 anos DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE
SINOPSE: Buenos Aires. Professora de história desconfia que a menina que adotou seja filha de desaparecida política, vítima da repressão militar. O filme argentino mais premiado em todos os tempos.
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19:00h e 00:30min
XXY - Lúcia Puenzo (Argentina/ França/ Espanha, 86 min, 2006, fic) Classificação indicativa: 16 anos CIDADANIA LGBT
SINOPSE: Alex nasceu com as características sexuais de ambos os sexos e, para fugir dos médicos que insistiam em corrigir a ambigüidade genital da criança, seus pais a levam para um vilarejo no Uruguai. Convencidos de que uma cirurgia seria uma violência contra seu corpo, eles vivem retirados numa casa nas dunas. Um dia, recebem a visita de um casal de amigos, que traz com eles o filho adolescente. O pai visitante é especialista em cirurgia estética e se interessa pelo caso clínico da jovem. Enquanto isso, Alex, de 15 anos, e o rapaz, de 16, sentem-se atraídos um pelo outro.
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13/11 – SÁBADO


13:00h e 00:30min
MÃOS DE OUTUBRO - Vitor Souza Lima (Brasil, 20 min, 2009, doc) DIREITOS HUMANOS E DIVERSIDADE RELIGIOSA
SINOPSE: Mãos de outubro. Outubro de festa. Romeiros, operários, escultores, estilistas, decoradores, guardas da Santa, fogueteiros, promesseiros, tocadores de sinos. Todas as classes, todas as idades. Todas as mãos que constroem a maior manifestação de fé do Brasil.
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JURUNA, O ESPÍRITO DA FLORESTA - Armando Lacerda (Brasil, 86 min, 2009, doc) Classificação indicativa: 12 anos DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS/ DIREITO À PARTICIPAÇÃO POLÍTICA/ DIREITO AO MEIO AMBIENTE SAUDÁVEL
SINOPSE: O velório de Mário Juruna é sofrido e doloroso para o pequeno grupo de parentes e amigos dispersos no amplo Salão Nobre do Congresso Nacional, na manhã de 17 de julho de 2002. Foram necessários quase 500 anos para o primeiro índio eleger-se Deputado Federal no Brasil e promover a inclusão do povo indígena na sociedade nacional. E o herói agora está morto! A história vai ser contada por seus parentes, na língua Jê, e traz à reflexão do cinema o pensamento indígena e as suas formulações existenciais e políticas originais. Entre eles, está Diogo Amhó, filho de Mário Juruna, que contribui para recompor também a memória ancestral, fragmentada pelo desaparecimento dos mais velhos.
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15:00h e 00:30min
HALO - Martín Klein (Uruguai, 4 min, 2009, fic) DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
SINOPSE: Ditadura, resistência e memória. Homens e mulheres desaparecidos. Um insurgente volta.
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ANDRÉS NÃO QUER DORMIR A SESTA - Daniel Bustamante (Argentina, 108 min, 2009, fic) Classificação indicativa: 12 anos DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE
SINOPSE: Depois da morte de sua mãe em um acidente, Andrés precisa se mudar para a casa de sua avó Olga e seu pai Raúl. No bairro onde mora funciona um centro de detenção clandestino. É um segredo de que não se fala e com o qual todos convivem. Um ano de mudanças e transformações. Um ano em que Andrés e Olga vão descobrir o poder que um tem sobre o outro, e suas conseqüências.
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17:00h e 00:30min - Classificação indicativa: 14 anos


MARIBEL - Yerko Ravlic (Chile, 18 min, 2009, fic) DIREITOS DA PESSOA IDOSA/ RELAÇÕES INTERGERACIONAIS
SINOPSE: Maribel, uma jovem de 17 anos, vive com sua mãe e seu avô Raúl, que está preso à cama devido a uma doença terminal. Ela acaba de receber uma notícia que vai mudar sua vida, mas a pouca comunicação com sua mãe e os difíceis momentos pelos quais passa sua família, a mantêm em uma dúvida constante.
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O QUARTO DE LEO - Enrique Buchichio (Uruguai/ Argentina, 95 min, 2009, fic) CIDADANIA LGBT
SINOPSE: Leo, um jovem em pleno processo de autoaceitação e definição sexual, reencontra-se com Caro, uma ex-colega de escola primária de quem gostava quando eram crianças, e que agora vive sua própria crise pessoal. Este reencontro casual terá repercussões nos conflitos de cada um, sem que nenhum deles saiba realmente o que acontece com o outro.
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19:00h e 00:30min - Classificação indicativa: livre


O FILHO DA NOIVA - Juan José Campanella (Argentina/ Espanha, 124 min, 2001, fic)
DIREITOS DA PESSOA IDOSA / DIREITOS HUMANOS E SAÚDE MENTAL / RELAÇÕES INTERGERACIONAIS
SINOPSE: Rafael Belvedere (Ricardo Darín) não está satisfeito com a vida que leva. Não pode se ligar a suas coisas, seus parentes, nunca tem tempo. Não tem ideais, vive enfiado até a cabeça no restaurante fundado por seu pai (Héctor Alterio); sustenta um divórcio, não teve tempo suficiente de ver crescer sua filha Vicky (Gimena Nóbile), não tem amigos e prefere adiar um novo compromisso com sua namorada (Natalia Verbeke). Além disso, há meis de um ano não visita sua mãe, (Norma Aleandro) que sofre do Mal de Alzehimer e está internada em uma casa de repouso. Rafael quer apenas que o deixem em paz. Mas uma série de acontecimentos inesperados obrigará Rafael a repensar sua situação. E no caminho, dará apoio ao seu pai para cumprir o velho sonho de sua mãe: casar.

14/11 – DOMINGO


13:00h e 00:30min


DOIS MUNDOS – Thereza Jessouroun (Brasil, 15 min, 2009, doc) DIREITOS DAS POPULAÇÕES INDÍGENAS / DIREITOS DAS POPULAÇÕES TRADICIONAIS
SINOPSE: O Carnaval de Oruro – Bolívia, destacado como a expressão máxima de alegria, diversidade e reconciliação coletiva da Bolívia. Setores encontrados dançam em um coro de vida e morte, no qual – momentaneamente – são eliminados rancores antigos, rivalidades seculares. Mal termina este mágico baile de máscaras, reiniciam-se em um ciclo de dominação e opressão... mas hoje os deserdados da terra elevam o punho e a voz para abolir séculos de injustiça. Assim, a alma americana transcende este passado de incerteza e caminha esperançosa com o olhar voltado nas históricas transformações que marcam seu presente.
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AMÉRICA TEM ALMA - Carlos Azpurua (Bolívia/ Venezuela, 70 min, 2009, doc) DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA - Classificação indicativa: 12 anos
SINOPSE: Para os surdos, existem dois mundos: o mundo do silêncio e o mundo sonoro. Este filme é sobre a experiência com o mundo sonoro dos surdos que transitam entre os dois mundos.
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15:00h e 00:30min


CARRETO - Marília Hughes, Claudio Marques (Brasil, 12 min, 2009, fic) DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
SINOPSE: Tinho conhece Stéphanie. Uma amizade se inicia.
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BAILÃO - Marcelo Caetano (Brasil, 17 min, 2009, doc) CIDADANIA LGBT
SINOPSE: A memória de uma geração visitada por seus personagens. O cenário é o centro de uma grande cidade; o enredo, a urgência da vida. E o Bailão, o ponto de convergência dessas histórias.
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DEFENSA 1464 - David Rubio (Equador/ Argentina, 68 min, 2010, doc) DIREITO DAS POPULAÇÕES AFRODESCENDENTES
Classificação indicativa: 12 anos
SINOPSE: Esta é a história de um grupo de emigrantes afro-equatorianos que chegaram a Buenos Aires para repensar a história e resgatar seus antepassados do esquecimento.
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17:00h e 00:30min - Classificação indicativa: 10 anos


O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS - Cao Hamburger (Brasil, 110 min, 2006, fic)
DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE
SINOPSE: Em 1970, o Brasil e o mundo parecem estar de cabeça para baixo, mas a maior preocupação na vida de Mauro, um garoto de 12 anos, tem pouco a ver com a ditadura militar que impera no País, e seu maior sonho é ver o Brasil tricampeão mundial de futebol. De repente, ele é separado dos pais e obrigado a se adaptar a uma “estranha” e divertida comunidade – o Bom Retiro, bairro de São Paulo, que abriga judeus, italianos, entre outras culturas. Uma história emocionante de superação e solidariedade.
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19:00h e 00:30min


EU NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO - Daniel Ribeiro (Brasil, 17 min, 2010, fic) DIREITO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA/ CIDADANIA LGBT
SINOPSE: A vida de Leonardo, um adolescente cego, muda completamente com a chegada de um novo aluno em sua escola. Ao mesmo tempo, ele tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana e entender os sentimentos despertados pelo novo amigo Gabriel.
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IMAGEM FINAL - Andrés Habegger (Argentina, 94 min, 2008, doc) Classificação indicativa: 12 anos DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE/ COMBATE À TORTURA
SINOPSE: Junho de 1973 em Santiago do Chile. Leonardo Henrichsen, um cinegrafista argentino, filma sua própria morte. 33 anos mais tarde, Ernesto Carmona, um jornalista chileno, descobre a identidade do homem que o matou. Imagem Final é um filme sobre um das imagens mais famosas da história. Sobre um grupo de jornalistas filmando um continente que afunda na violência. Uma oportunidade de ver o material de arquivo mais incomum e revelador dos últimos 40 anos. Imagem Final é um passeio pela história recente da América Latina, através da vida e das imagens de um só homem.
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15/11 – SEGUNDA-FEIRA


13:00h e 00:30min – Audiodescrição


AVÓS - Michael Wahrmann (Brasil, 12 min, 2009, fic)
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ALOHA - Paula Luana Maia, Nildo Ferreira (Brasil, 15 min, 2010, doc)
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CARRETO - Marília Hughes, Claudio Marques (Brasil, 12 min, 2009, fic)
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EU NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO - Daniel Ribeiro (Brasil, 17 min, 2010, fic)


* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual.
Classificação indicativa: 12 anos
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15:00h e 00:30min - Classificação indicativa: livre


KAMCHATKA - Marcelo Piñeyro (Argentina/ Espanha/ Itália, 103 min, 2002, fic) DIREITO À MEMORIA E À VERDADE / DEMOCRACIA E DIREITOS HUMANOS
SINOPSE: Um garoto de 10 anos leva uma vida normal para qualquer criança de sua idade na década de 1970. No entanto, quando seus pais – um advogado e uma professora universitária – começam a ser perseguidos pela ditadura argentina, ele e sua família são obrigados a largar tudo na cidade e fugir para uma fazenda.
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17:00h e 00:30min - Classificação indicativa: 12 anos


A BATALHA DO CHILE II – O GOLPE DE ESTADO - Patricio Guzmán (Chile/ Cuba/ Venezuela/ França, 90 min, 1975, doc) DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE/ COMBATE À TORTURA
SINOPSE: No período de março a setembro de 1973, a esquerda e a direita se enfrentam nas ruas, nas fábricas, nos tribunais, nas universidades, no parlamento e nos meios de comunicação. A situação torna-se insustentável. Os Estados Unidos financiam a greve dos motoristas de caminhão e fomentam o caos social. Allende tenta conseguir um acordo com as forças da Democracia Cristã, mas fracassa. As contradições da esquerda aumentam a crise. Os militares começam a conspirar em Valparaíso. Um amplo setor da classe média fomenta o boicote e a guerra civil. No dia 11 de setembro, Pinochet bombardeia o Palácio do Governo.
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19:00h e 00:30min


ABUTRES - Pablo Trapero (Argentina/ Chile/ França/ Coréia do Sul, 107 min, 2010, fic) Classificação indicativa: 16 anos DIREITO À JUSTIÇA / DIREITOS ECONÔMICOS E SOCIAIS / ECONOMIA E DIREITOS HUMANOS
SINOPSE: Na Argentina, os “caranchos” são os advogados que procuram as vítimas de trânsito para tirar a maior indenização possível das seguradoras e ficar com uma gorda comissão. Segundo as estatísticas, mais de 8 mil pessoas morrem em acidentes de trânsito no país. Um advogado especialista em lucrar com esse mercado passa a repensar seu trabalho quando se apaixona por uma jovem médica que cuida dos feridos em acidentes. Ela não aceita que ele continue nesse trabalho; em nome dela, ele tentará tomar outro rumo. Como na máfia, porém, há toda uma organização por trás, eles não conseguem sair de uma espiral de violência.
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16/11 – TERÇA-FEIRA


13:00h e 00:30min


A VERDADE SOTERRADA - Miguel Vassy (Uruguai/ Brasil, 56 min, 2009, doc) DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE/ COMBATE À TORTURA/ DEMOCRACIA E DIREITOS HUMANOS
SINOPSE: Foram mais de vinte anos de impunidade e silêncio forçado por ameaças e medo. Porém, as ditaduras do Cone Sul não conseguiram apagar todas as provas dos seus crimes. Hoje a sociedade uruguaia encara de que forma se deve desenterrar esse passado e promover a justiça. A Verdade Soterrada resgata os testemunhos das vítimas do terrorismo de Estado em busca da verdade.
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ROSITA NÃO SE DESLOCA - Alessandro Acito, Leonardo Valderrama (Colômbia/ Itália, 52 min, 2009, doc)
Classificação indicativa: 12 anos DIREITO À TERRA/ CONFLITOS FUNDIÁRIOS/ DIREITO AO TRABALHO DECENTE/ DIREITO AO MEIO AMBIENTE SUSTENTÁVEL/ DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO ADEQUADA
SINOPSE: Há 50 anos a Colômbia vive uma violenta e covarde guerra civil. As Farc e o exército do governo se enfrentam, além de inúmeros outros grupos armados de esquerda, gangues e paramilitares. Para todos, o país é hoje sinônimo de narcotráfico. Todos conhecem a história de Ingrid Betancourt e muitos sabem que é apenas uma pequena ponta desse enorme iceberg. Mas se, por acaso, um dia você for além das crônicas e notícias de jornais e de televisão, se você passear pelas belas ruas de Bogotá, verá o aspecto menos conhecido e mais absurdo dessa guerra e, nesse momento, encontrará histórias extraordinárias como a de Rosita Poveda, pequena agricultora indígena, com a cabeça cheia de “guevarismo” e agronomia, mulher de mãos grandes e sorriso completo. Há cinco anos ela limpa e cultiva um pedaço de terra doado por um arquiteto – localizado na periferia da capital – que servia como depósito de lixo e entulhos, além de refúgio para ladrões. Sem “plata”, mas com muito trabalho e garra, ela transformou o depósito de entulhos numa comunidade agrícola indígena e hoje, com sua associação, ensina práticas de agricultura orgânica para a população e estudantes universitários de toda a América do Sul.
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15:00h e 00:30min - Classificação indicativa: 12 anos DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE
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HÉRCULES 56 - Silvio Da-Rin (Brasil, 94 min, 2006, doc)
SINOPSE: Em 7 de setembro de 1969, o avião Hércules 56 da FAB levou ao México quinze presos políticos trocados pelo embaixador dos EUA. No filme, os nove remanescentes do grupo e cinco membros das organizações responsáveis pelo sequestro rememoram a ação e discutem a luta armada contra a ditadura militar.
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17:00h e 00:30min - Classificação indicativa: 12 anos


DIAS DE GREVE – Adirley Queirós (Brasil, 24 min, 2009, doc) DIREITO AO TRABALHO DECENTE
SINOPSE: Uma greve de metalúrgicos tem início em uma cidade nos arredores de Brasília. Muito mais do que o despertar para uma consciência de classe, os grevistas redescobrem uma cidade que já não lhes pertence.
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PARAÍSO - Héctor Gálvez (Peru/ Alemanha/ Espanha, 91 min, 2009, fic) DIREITO AO TRABALHO DECENTE/ COMBATE À POBREZA/ DIREITOS DA JUVENTUDE/ INCLUSÃO SOCIAL
SINOPSE: Joaquín e seus quatro jovens amigos vivem em Paraíso, bairro de deslocados localizado nos arredores da cidade de Lima. Ali passam os dias sem saída, sem oportunidades nem futuro, mas com a sensação de que têm que fazer alguma coisa.
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19:00h e 00:30min - Classificação indicativa: 16 anos


CARNAVAL DOS DEUSES - Tata Amaral (Brasil, 9 min, 2010, fic) DIREITOS HUMANOS E DIVERSIDADE RELIGIOSA
SINOPSE: Jacob, Mairun e João têm seis anos e confeccionam suas fantasias de carnaval para a festa da escola. Ana não participa da atividade porque acredita que carnaval seja pecado. Essa situação causa espanto entre os amiguinhos, que iniciam uma conversa sobre suas diferentes origens religiosas. Chegam à conclusão de que na festa de carnaval todos os deuses são bem-vindos.
...MEU COMPANHEIRO - Juan Darío Almagro (Argentina, 25 min, 2010, doc) DIREITOS DA PESSOA IDOSA/ DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
SINOPSE: Esteban, ex-jogador de futebol, caminha junto ao seu cão, mesmo com problemas em uma de suas pernas. Ambos moram nas ruas, e ele precisa ficar internado até que suas feridas estejam curadas; no entanto, resiste em deixar seu fiel parceiro abandonado.
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LEITE E FERRO - Claudia Priscilla (Brasil, 72 min, 2010, doc) DIREITO DA POPULAÇÃO CARCERÁRIA/ DIREITOS DAS MULHERES
SINOPSE: Retrato da vivência da maternidade em uma situação-limite. Amamentação, sexualidade, drogas, religião no cárcere.
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17/11 – QUARTA-FEIRA


13:00h e 00:30min – Audiodescrição Classificação indicativa: 14 anos
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PRA FRENTE BRASIL - Roberto Farias (Brasil, 105 min, 1982, fic) DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE
SINOPSE: Em 1970 o Brasil inteiro torce e vibra com a seleção de futebol no México, enquanto prisioneiros políticos são torturados nos porões da ditadura militar e inocentes são vítimas desta violência. Todos estes acontecimentos são vistos pela ótica de uma família quando um dos seus integrantes, um pacato trabalhador da classe média, é confundido com um ativista político e "desaparece".

* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual.

15:00h e 00:30min


A CASA DOS MORTOS - Debora Diniz (Brasil, 24 min, 2009, doc) DIREITOS HUMANOS E SAÚDE MENTAL
SINOPSE: Bubu é um poeta com doze internações em manicômios judiciários. Ele desafia o sentido dos hospitais-presídios, instituições híbridas que sentenciam a loucura à prisão perpétua. O poema A Casa dos Mortos foi escrito durante as filmagens do documentário e desvelou as mortes esquecidas dos manicômios judiciários. São três histórias em três atos de morte. Jaime, Antônio e Almerindo são homens anônimos, considerados perigosos para a vida social, cujo castigo será a tragédia do suicídio, o ciclo interminável de internações, ou a sobrevivência em prisão perpétua nas casas dos mortos. Bubu é o narrador de sua própria vida, mas também de seu destino de morte.
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CLAUDIA - Marcel Gonnet Wainmayer (Argentina, 76 min, 2010, doc)
Classificação indicativa: 14 anos DIREITOS DA POPULAÇÃO CARCERÁRIA/ DIREITO DAS MULHERES
SINOPSE: Claudia sai da cadeia depois de passar vinte e seis anos atrás das grades. É seguida pela câmera em seu retorno à liberdade. A reconstrução de seus laços familiares, sua relação amorosa e sua presença cotidiana na cidade permitem analisar o que significa a reinserção social, os objetivos e o funcionamento do sistema penitenciário. Imagens históricas da cadeia e os detalhes do duplo homicídio que a levou à prisão (e que inspirou um dos capítulos da série de televisão “Mulheres Assassinas”) são o contraponto de seus encontros com especialistas e personagens relacionados com o sistema penitenciário. O problema da cadeia, sua realidade e suas sequelas, encarnados na vida de uma mulher que enfrenta o desafio de viver em liberdade depois de mais de duas décadas de prisão.
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17:00h e 00:30min


ALOHA - Paula Luana Maia / Nildo Ferreira (Brasil, 15 min, 2010, doc) DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA.
SINOPSE: Conta a história de personagens com deficiência física que, através do surfe, encontraram a superação para os desafios de suas vidas.
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AVÓS - Michael Wahrmann (Brasil, 12 min, 2009, fic) RESPEITO ÀS DIVERSIDADES/ DIREITO À VERDADE E À MENÓRIA/ SOLIDARIEDADE INTERGERACIONAL/ DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
SINOPSE: Leo comemora seu décimo aniversário. De uma avó, ele ganha meias; da outra, cuecas. Do avô, Leo recebe uma velha câmera Super-8, através da qual relata a tentativa de trocar os presentes com as avós. Nesse meio tempo, descobre que Mônica Lewinsky é judia, que Clinton é o presidente da América, que os números nos braços dos avós são os responsáveis por ele ser gordinho e que a tal câmera velha não serve para mais nada.
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CINEMA DE GUERRILHA - Evaldo Mocarzel (Brasil, 72 min, 2010, doc) Classificação indicativa: 12 anos
INCLUSÃO SOCIAL/ DIREITOS DA JUVENTUDE/ EDUCAÇÃO E CULTURA EM DIREITOS HUMANOS/ DIREITO À COMUNICAÇÃO DEMOCRÁTICA E AO ACESSO À INFORMAÇÃO
SINOPSE: Cinema de Guerrilha é um documentário sobre jovens de periferia que fazem cinema, realizam oficinas e promovem exibições alternativas de curtas-metragens para as comunidades.
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19:00h e 00:30min - Classificação indicativa: 12 anos

GROELÂNDIA - Rafael Figueiredo (Brasil, 17 min, 2009, fic) DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
SINOPSE: Franco volta para casa depois de dez anos. Ao atravessar a porta, ele encontra a mãe e um passado indesejado.
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MUNDO ALAS - León Gieco, Fernando Molnar, Sebastián Schindel (Argentina, 89 min, 2009, doc) DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA/ DIREITO À CULTURA
SINOPSE: Mundo Alas é um road movie, uma viagem iniciática de um grupo de jovens artistas que mostra sua arte junto com a voz, o talento e a experiência de León Gieco durante uma turnê por diferentes províncias argentinas. Músicos, cantores, bailarinos e pintores, todos eles grandes artistas, e portadores de necessidades especiais, expressam e comunicam sua maneira de ver o mundo: aquilo que lhes preocupa, que os anima e que os inspira, em um show que combina música, dança e pintura. Nele se destacam o rock, o folclore e o tango junto a grandes sucessos de León Gieco. Ao longo da turnê e do filme, vão sendo conhecidas as histórias de vida de cada protagonista e sua evolução artística. Os shows, ensaios, a estrada e os hotéis são os cenários de histórias e músicas que geram novos sonhos: conseguir gravar o disco de Mundo Alas, e encerrar a turnê com um grande show no Luna Park. Surgem também histórias de amor e relações que demonstram que a integração é possível. Um filme único, inclusivo, que dá nome e reconhece as pessoas por suas capacidades, uma maravilhosa experiência musical sobre a superação e o amor.
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http://www.cinedireitoshumanos.org.br/


* O formato de exibição dos filmes é DVCAM.

MOSTRA DE CINEMA E DIREITOS HUMANOS - 5ª MOSTRA 2010

EM TERESINA - PI, DE 11 a 17 de NOVEMBRO DE 2010 - NO CLUBE DOS DIÁRIOS, SALA TORQUATO NETO.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O DIREITO DE IR E VIR E RIR A VIDA - poema, poesia e filosofia

O DIREITO DE IR E VIR E RIR A VIDA

Áureo João. 43. Teresina/PI, 10/11/2010.

1.
O direito de ir e vir é fundamental, é vital, ainda que não se possa rir a vida;
É necessidade subjetiva essencial, ainda que não se possa ir com a vida.
Que lugar é esse que piso e repiso sob o direito de ir e vir,
Mas não se pode rir a vida no ir e vir com a vida?
2.
Vida, o primeiro direito ou a razão última?
Vida, o que seria esta sem o ir e vir?
Mas o que é a vida, o direito a esta e o direito de ir e vir, quando não se pode rir com isso tudo pouco?
3.
Que tempo é nosso tempo?
Tempo que se rompem desafios para garantir a longevidade a todos,
Vida longa ao rei e à rainha!!!
Vida longa ao súdito!!!
Ainda que nos pareça mais brevíssimo o romper da vida, antes mesmo que se possa ter tempo para rir a vida consigo mesmo, com amigos, filhos e netos.
4.
Homo-sapiens, homem sábio, homem sapo; homo-sapo; sapo;
Gostos, ausência de gostos e desgostos rondam em comum;
Pela boca que degusta as moscas que te chegam ao paladar,
Pelas moscas que degustam na boca morta que ri um riso morto, antes mesmo que possa rir da sapiência que lhe seja superior.
5.
O direito de ir e vir é fundamental, ainda que não se possa rir a vida;
É necessidade do sujeito individual e do coletivo de sujeitos, ainda que não se possa ir com a vida.
Analfabeto não pode ir e vir em meio a tantas línguas, linguagens e códigos que lhe confundem;
Letrado doutor não pode ir e vir em meio à brevidade de seu tempo que se anuncia, que lhe confunde, que lhe nutre o medo, que lhe pode cerrar o riso, seu ir e vir;
6.
Ricos e empobrecidos; belos e não-belos,
Ir e vir, sem rir, não tem nenhuma graça,
Nem ao homo-sapiens, nem ao homo-sapo, sapo;
A menos que a racionalidade do homo-sapiens seja própria da negação de rir e da ausência de graça em seu fazer e saber.
7.
Das riquezas todas do mundo, o que nos cabe em direito de rir...; do que é bom; porque é bom; porque faz um bem; por afeto; por alegria; por respeito; por prazer?
Do Capital no mundo, quanto nos custa rir, não raro sem direito de ir e vir – ou com este -, pela mais-valia que se ganha não-sei-como e se acumula nas mãos de não-sei-quem ?
Das leis que regem nossas vidas, nossas relações no mundo e com o mundo, e as coisas do mundo, tantas nos garantem o direito de e ir e vir; e quantas nos asseguram o direito de rir, no ir e no vir?
8.
Queiram os desígneos dos deuses que nossa vida não se acabe, sem antes gozar de muitos risos; dos risos que se ria só; risos que se possa rir com os filhos, e com os filhos dos filhos, e com os filhos destes;
Permitam-nos as leis da Natureza, que regem nossa existência natural, que o direito de rir a vida seja mais extenso e mais intenso que o curso das terras pisadas sob a garantia do direito de ir e vir;
Faça-se Cultura, em que se faz o humano, que inventou cultura e se reinventa, ainda que inacabado sempre, mas não subtraia o riso afetuoso e prazeroso, pelo simples direito de rir e rir; pelo direito de ir e vir e rir, digno de todas as pessoas e conjugações que o verbo comporta na vida, por criação e recriação humana;
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

QUANDO FALTA SOLIDARIEDADE COLETIVA, A VIDA FICA SEM GRAÇA

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QUANDO FALTA SOLIDARIEDADE COLETIVA,
A VIDA INDIVIDUAL DE ALGUNS FICA SEM GRAÇA

Áureo João. 43. Teresina/PI, 03/11/2010.



Hoje, quarta-feira, 03/11/2010, eu fiz um gesto de solidariedade imediatista e, depois, pedi a graça!!!
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Por volta das 19:00h, nas imediações do cruzamento das avenidas Odilon Araújo e Castelo Branco, no Bairro Piçarra, entrei em um ônibus de transporte urbano coletivo que vinha do bairro Redenção em direção ao centro de nossa Capital.

Em gesto costumeiro, entrei no ônibus, entreguei um vale-transporte ao cobrador, pelo pagamento da viagem urbana, passei a roleta e me sentei numa cadeira à metade do comprimento do utilitário.

Já sentado, observei um jovem contando moedas na mão e entregando ao cobrador do ônibus, dizendo “só tenho esse...”. O cobrador-de-ônibus, de seu posto, conferiu as moedas e disse “falta vinte e cinco”. E, fazendo sinais de resposta negativa com as mãos e com a cabeça, para o jovem – e com o pé travando o giro da roleta a fim de impedir a passagem do moço -, devolveu as moedas ao jovem e sentenciou: “não pode”...; “é lei”...; “não pode passar sem a passagem inteira”.

Barrado pela falta de vinte e cinco centavos e pela sentença do cobrador-de-ônibus, o jovem se recolheu e se sentou em uma cadeira em frente ao seu julgador, persistindo nos argumentos para lograr sua credencial de passagem por aquele objeto que lhe parecia intransponível. O cobrador, ancorado em seu poder de veto circunstancial, apontava com seu dedo para uma câmera interna do ônibus e declamava seu texto invariável: “não pode”...; “é lei”...; “não pode passar sem a passagem inteira”.

Aquela situação, ainda que possa parecer absurdo especular, parecia-me um cárcere privado em movimento. O cobrador não deixava o jovem passar pela roleta. O motorista não parecia interessado em libertá-lo pela porta dianteira. O ônibus seguia rodando e o jovem sem nenhum poder efetivo sobre a situação.

À distância em que eu me achava, fiz uma “avaliação” estereotipada do perfil do jovem, cuja aparência me permitiu “concluir” que poderia ser um operário de uma oficina mecânica, da construção civil ou outro serviço profissional equivalente, sem dinheiro suficiente para custear seu retorno para casa, depois de um dia de trabalho pesado. Além disso, o jovem não demonstrava sinais de embriaguês, uso de “drogas” ou qualquer outra variação de sua lucidez. Ele é do tipo que a gente chama de “pardo” e carregava algumas sacolas.

Tocado pelo sentimento de injustiça à vista e pelo intuito da solidariedade imediata, coloquei a mão no bolso, tirei um vale-transporte e fiz gestos ao cobrador-de-ônibus, como sinal de pagamento de fiança da infração cometida pelo jovem e imediata revogação da “lei” que lhe mantinha naquele cárcere físico e moral. Foi algo mágico; o cobrador liberou o moço imediatamente. O jovem me encarou, fez sinal com o polegar para cima e me agradeceu pelo menos três vezes por aquele gesto; em seguida, foi sentar-se numa cadeira à parte traseira do ônibus.

O problema estava resolvido, pensei!!!

Porém, assuntando sobre a ocupação demográfica em Teresina, ancorei-me no raciocínio de que o centro da Capital não é localização típica para habitação/dormitório residencial, especialmente de pessoas de baixo poder aquisitivo.

Por esta premissa, cheguei às “minhas conclusões” de que o jovem operário ainda precisaria pegar uma segunda condução em transporte coletivo, até concluir seu percurso de retorno ao seu ponto de endereço domiciliar, localizado em alguns dos bairros da Capital. No entanto, não tendo dinheiro para pagar a passagem no ônibus coletivo, o constrangimento já estava certo e determinado.

O espírito de solidariedade individual e imediata logo indicou a melhor sentença para a situação localizada e direta. O mais razoável, para dormir tranqüilo esta noite, recomendava-me exercer um segundo gesto em complemento ao primeiro antecedente. Muito simples: com um vale-transporte a situação estaria sob controle; com mais um acréscimo, o dia seguinte daquele operário poderia começar melhor do que este final de jornada diária.

Na Avenida Frei Serafim – centro da cidade -, eu também precisava desembarcar daquele ônibus para, em seguida, embarcar em outro com destino à minha morada, na periferia.

Ao me dirigir à porta de desembarque do ônibus, notei o jovem sentado numa cadeira do lado oposto à saída. Imediatamente perguntei: “você tem... como chegar até sua casa... no seu bairro?”

Simultâneo ao gesto do jovem para responder minhas perguntas, eu puxei minha carteira do bolso e tirei dois vales-transporte para entregar ao jovem. Já com os vales na mão para entregá-lo, eu ouvi sua resposta: “Não. Eu não tenho casa. Moro na rua. Não tenho família, não tenho nada!. Vou dormir ali na calçada da Pague-Menos”.

Entreguei os dois vales-transporte que já estavam na minha mão estendida. Virei as costas para o jovem e me posicionei na porta do ônibus para o desembarque no ponto-de-ônibus seguinte. Eu não disse mais nada e não perguntei mais nada. Fiquei sem graça!!! Perdi a graça!!!

Desembarquei daquele ônibus e embarquei num sentimento de impotência e indignação!!!

No plano individual, eu tinha o vale-transporte, ingênua solução para uma situação sequer diagnosticada. No mesmo plano individual, eu não tenho um endereço para doar àquele “sem-endereço”; não tenho uma família para doar àquele “sem-família”; não tenho um posto de trabalho para aquele “sem-posto-de-trabalho”, “sem-dinheiro”, “sem-presente”, “sem-dignidade” e, talvez, “sem-futuro”...

Neste sentido, quando falta a solidariedade coletiva, como elemento intrínseco do modelo de sociedade em que vivemos, a vida individual de alguns (muitos) fica sem graça!!! Perda a graça!!! Perde o riso! Perde o sono! e... perde...!

A caridade individual e imediata é pouco útil ou mesmo inútil, quando o gesto não alcança a alteração da causa que deu origem à suposta necessidade da nossa caridade!!!

A falta de dignidade não pode ser banalizada em nossa existência, nem o processo de “vigiar” e “punir” os desprovidos de dignidade pode ser assimilado e internalizado pelas pessoas que pensam e agem, de modo crítico, na vida e com a vida em sociedade.

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

VIOLÊNCIA. A VIOLÊNCIA NOSSA DE CADA DIA: A JUVENTUDE POBRE NA LINHA DE TIRO

A violência nossa de cada dia: a juventude pobre na linha de tiro



Marcondes Brito
Mestrando em Políticas Públicas da Universidade Federal do Piauí – UFPI.

Valéria Silva
Doutora em Sociologia Política. Professora do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas - UFPI



As ideias estão no chão
Você tropeça e acha a solução
Titãs


O presente artigo discute alguns apontamentos sobre a violência urbana na atualidade, detendo-se sobre os modos como a mesma afeta os jovens. Apresenta breve reflexão sobre a natureza das ações estatais dirigidas – ou não - a estes segmentos sociais e das relações que estabelecem com a produção daquilo que pretendem enfrentar: a violência em meio juvenil. Enfoca, por fim, os jovens pobres e marginalizados de Teresina-PI, segmento distanciado das políticas públicas de assistência e proteção, de uma forma geral, porém muito próximo ou, mesmo, inserido nas ações de segurança e repressão implementadas pelas instituições públicas.

Na apreciação do fenômeno aludido, apoiamo-nos no entendimento construído por Velho (2000), no qual o autor afirma que a violência não se esgota apenas no uso efetivo da força física, mas também na possibilidade ou ameaça da sua concretização por vários meios, inclusive o institucional. Este conceito de violência ganha sentido em um contexto grupal, quando entendemos como se constitui o conceito de juventude e, especificamente, de juventude pobre, desassistida, e como esta relação se desdobra na atualidade.

Segundo Irene Rizzini (1997), no Brasil, em meados dos Séculos XIX e início do XX, percebe-se, claramente, que a criança mais presente na literatura era aquela, aos olhos da elite, ‘carente da ajuda e proteção do Estado’ para ser “corrigida”, “reeducada”. Isto é, a literatura tratava da criança pobre.

O Brasil, uma nação em surgimento, buscava, na época, na Europa do século XIX e EUA do século XX, modelos e fórmulas capazes de desencadear, aqui, um processo desenvolvimentista. Parte importante deste propósito se constituía da importação de modelos e teorias para combater a “degradação de sociedades modernas”, como as teorias eugenistas, evolucionistas, que, a partir de Charles Darwin, expandiram-se por todo o mundo. Este advento se verificou tanto pelas proposições trazidas pela genética social quanto pela validação construída por um discurso de verdade científica, de cunho racista e criminal, de Paul Broca e Cesare Lombroso, autores que fomentavam, no bojo dos seus argumentos a idéia de que a pobreza trazia o atraso da sociedade e os seus vícios, a degenerescência da sociedade. Neste contexto, o papel dos intelectuais seria de contribuir com seu saber, para a implementação de políticas e ações, no sentido do enfrentamento da degeneração social ocasionada pelo trinômio pobreza - ociosidade - degradação social.

Esses discursos influenciaram vários intelectuais brasileiros, tais como Franco da Rocha, Nina Ribeiro, Silvio Romero, Henrique Roxo, dentre outros. Estes intelectuais, além da contribuição teórica que prestaram, assumiram também cargos públicos, oportunidade em que colocaram em prática suas idéias, disseminando-as dentro e fora das instituições. Tais intervenções fizeram com que o ideário de suas teses passassem a fazer parte das subjetividades brasileiras, mas com uma particularidade: as teorias racistas e discriminatórias voltavam-se principalmente, para os pobres, que eram a maioria da população. Como nos diz Rizzini (1997, p. 65) “não por acaso pobreza e degradação moral estavam sempre associadas. Aos olhos da elite, os pobres, com sua áurea de viciosidade, não se encaixavam no seu ideal de nação”, entendimento endossado também pelos pressupostos da biologia social. A propósito, afirma a autora que “a fantástica expansão da medicina, bem como sua ramificação no campo jurídico (mais ligado à medicina legal) e à conjugação dos saberes bio-psico-sociais trataram de redefinir o humano e explicar a etiologia dos medos que afligem o homem e a sociedade; o corpo e a alma” (1997, p. 69.), chamando a si a autoridade para a discriminação dos modelos sociais, dos processos de normalidade e patologia.

Essas premissas são reafirmadas e detalhadas também por Cecília Coimbra (2003, p. 23.), quando aponta que “a degradação moral” era especialmente associada à pobreza e percebida como uma epidemia que se deveria tentar evitar. Ou seja, “todas essas teorias estabelecem/fortalecem a relação entre vadiagem/ociosidade/indolência e pobreza, bem como a de pobreza e periculosidade/violência/criminalidade”.

Não é à toa que, da união destas duas abordagens, a médica e a jurídica, embaladas pela influência das teorias referidas surge, em 1927, a primeira lei brasileira para a infância e a adolescência, o primeiro Código de Menores e com ele a adoção da terminologia menor. Entretanto, a terminologia não possuía orientação cronológica, não era empregada para separar e/ou diferenciar segmentos por faixas etárias. A denominação concretizava uma diferenciação que levava em consideração eminentemente a condição de pobreza do indivíduo, imbricando, mais uma vez os pressupostos bio-sociais na compreensão dos segmentos juvenis marginalizados.

Encontrando suporte nestas idéias gerais vindas da Europa é que o higienismo penetra no Brasil do final do Século XIX e início do Século XX. Este movimento extrapola o campo da Medicina e se dissemina, em toda a sociedade brasileira, alcançando especialistas como pedagogos, arquitetos, urbanistas e juristas, dentre outros. (COIMBRA,1998).

Do ponto de vista de sua história, podemos dizer que, em território brasileiro, o movimento higienista alcançou seu apogeu na década de 1920, quando ocorreu a criação, por Gustavo Riedel, da “Liga Brasileira de Higiene Mental”. Fundamentados nas teorias racistas, no darwinismo social e na eugenia, pregava o aperfeiçoamento da raça e colocava-se publicamente contra os negros, mulatos e mestiços e, por consequência, contra a maior parte da população pobre brasileira.

Entre os higienistas da época, havia um consenso acerca da “missão patriótica”, que se atribuíam na construção de uma ”nação sadia e limpa”. Acreditavam no conceito de “degradação das sociedades modernas” e buscavam estratégias para executar um “saneamento moral” da sociedade brasileira. Como dissemos, associavam a “degradação moral” à pobreza, pois esta, com seus vícios, não condizia com o ideário de Nação, que, na época, buscavam produzir.

A “degradação moral”, vista como uma epidemia, implicava também a inevitabilidade do contágio, o que preocupava, sobremaneira, os higienistas. Uma vez a “doença” presente nas famílias pobres, esta endemia, por conseguinte, colocava toda a sociedade em risco. Fecha-se, portanto, um círculo vicioso, produz uma vez levado às últimas consequências, a conclusão de que sociedade “boa”, “saudável”, dependeria da eliminação dos pobres. E isto, não pelo extermínio da pobreza como problema social e/ou construção de uma sociedade democrática, mas pela eliminação das pessoas pobres.

A complexidade do pensamento higienista também chegou à consideração dos espaços públicos no seu todo, onde assumiram o aspecto de um corpo, de um organismo, demandando, então, cuidado, tratamento, a fim de curá-los da “doença” que se abatera sobre os mesmos. Para reforçar a gravidade de tais propostas de “reforma social”, vejamos o que nos diz Coimbra:
 
Partindo, portanto, da ideia de um corpo saudável, limpo, asséptico e disciplinado, o desenho urbano deveria prever cidades que funcionassem da mesma forma. Palavras como ‘artérias’ e ‘veias’ entraram para o vocabulário urbano no século XVIII, aplicadas por projetistas (...) que passam a pensar o funcionamento das cidades a partir dos ensinamentos médicos da época. Desde aquele século domina o pensamento científico a chamada ‘teoria dos fluidos’, onde o ar e a água são considerados os portadores de emanações fétidas e pútridas, conhecidas como ‘miasmas’ e transmissores de doenças como a peste, o escorbuto e a gangrena (COIMBRA, 1998, p. 80).
 
Assim posto, o espaço público surge como o lugar do perigo biológico e social, configurando-se também como “grande escola do mal”, uma vez ocupados pelos “menores” (compreendendo os “menores” infratores também os jovens), a infância perigosa e a infância em perigo. Os últimos seriam os pobres e os desassistidos, expostos aos outros “elementos”, ou seja, aos criminosos, degenerados e irrecuperáveis, que ocupavam os espaços urbanos de então.

É neste contexto que durante a Primeira República, consubstancia-se o entendimento de menoridade não mais vinculada a correlações etárias, mas associada ao conceito de marginalidade, situações de abandono ou de delito. O abandono é visto como o prenúncio do risco do delito, justificando o tratamento desta condição como caso de polícia e, portanto, suscetível de vigilância e punição, com vistas à manutenção da ordem então vigente.

Por outro lado, para Coimbra (1998), a adoção do termo “menor” não designava menores de quaisquer classes sociais, mas apenas diferençava um determinado segmento de menores: o pobre. Esta marca ganhou força, enredou-se no imaginário social e se impõe, até hoje, mesmo quando, em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) aboliu tal terminologia do seu texto legal. Infância e juventude, criança e adolescente são as designações utilizadas em substituição à categoria “menor”.

Assentado nesta imagem de crianças e jovens abandonados, desprotegidos e vulneráveis como elementos perigosos, o Código de Menores de 1979, dando continuidade à associação abandono-pobreza-marginalidade, disciplinou postura institucional que não se limitava apenas à ideia de correção de conduta, mas também – respondendo a uma política de segurança – de reintegração, coadunada com a proposta da Política Nacional do Bem-Estar do Menor (PNBM).

Podemos observar que o modelo que propugnava a salvação do país pela salvação da criança e dos adolescentes, já anteriormente utilizado pelo comissário de vigilância, assumia outro “rosto”, nos anos 60 e 70 do século XX, com a vigência da Doutrina de Segurança Nacional e com o fortalecimento do tecnicismo. Dispositivos “científicos” eram utilizados tanto para classificar quanto para justificar o “tratamento” recomendado, em cada caso, por profissionais de diversos setores, como assistentes sociais, psicólogos, médicos, advogados, dentre outros. A medicina higienista, agora aliada ao judiciário, não media esforços no sentido de purificar a sociedade.

A perspectiva acima apontada gerou um importante impacto na constituição das subjetividades juvenis, em suas identidades, nas suas sociabilidades, de uma maneira geral. Encontramos que, no contexto da doutrina de segurança nacional, tudo o que fugia do padrão instituído era considerado perigoso e subversivo, o que levou ao delineamento de duas categorias de juventudes, aos olhos do poder que as criou: a que subvertia e a danosa. Ambas eram consideradas como perigosas, pois entravam em rota de colisão com as pautas sociais consideradas corretas, no sentido do desenvolvimento almejado, da ordem constituída, da moral estabelecida, da família estruturada.

Em meio a este ranço cultural se gestou uma ligação perversa da juventude pobre à criminalidade, tal como desenvolveu Foucault (1987). Também se engendrou a lógica da punição – ainda em voga e com muita força nos tempos atuais –, que passou a permear as subjetividades daquele que julga, dando forma concreta à falsa ideia de que o ato de proteger passa pelo gesto de encarcerar, vigiar e punir.

Por outro lado, ao institucionalizar a medida punitiva da reclusão, do apartheid como a última solução para lidar com os problemas sociais enfrentados pelo segmento infanto-juvenil, o Estado brasileiro produziu uma visão distorcida do que deveria ser uma prática pedagógica, educativa, desenvolvida para/com os seus jovens e crianças. Em verdade, as políticas com este corte revelaram a assunção formal da desistência, do abandono destes sujeitos pelo Estado e pela sociedade.

Segundo Edson Passetti, a criação da Política Nacional do Bem-Estar do Menor, fundamentada no pensamento da Escola Superior de Guerra, (ESG), mostrou-se, de um ponto de vista, como um eficaz recurso para equacionar o problema social enfrentado – por um lado demonstrando o desenho da ação estatal ante o problema social em si e, por outro, apontando como esta escolha vinha se ajustar aos mecanismos de controle acionados pelo próprio Estado, correspondendo a um determinado perfil de organização política. Como se pode ver, a ação do Estado brasileiro consistiu, desde o princípio, em privilegiar o desenvolvimento de políticas e programas sociais, que consolidaram, em nome da defesa do bem-estar dos ditos infratores, uma conduta intervencionista/autoritária, de natureza higienista, fomentanto um perfil repressor e, ao mesmo tempo, conciliador junto à sociedade – haja vista que um dos objetivos deste comportamento era apresentar uma satisfação à opinião pública, no sentido da paz e da ordem social.

Esta forma de gestão intervencionista revela e reforça a ação burocrático-estatal em uma linha de continuidade, que sustenta e é sustentada pela correlação abandono-pobreza-delinquência, que teve como efeito, desde a era Vargas, o acirramento de implantação de políticas sociais como se fossem de bem-estar no sentido amplo, frequentemente ancoradas em uma perspectiva autoritária de correção, higienização, controle, ordem. Outro aspecto que se constata, na história política do Brasil República, é que, tanto em períodos ditatoriais como em períodos de distensão “democrática”, a intervenção em nome do bem-estar acompanhou o ideal de desenvolvimento, intimamente ligado à noção de segurança, garantindo a proliferação de interesses da burocracia estatal, coadunados, confortavelmente, com o cunho autoritário da gestão da vida.

Como dito, este não foi um fenômeno próprio apenas do contexto repressivo-militar brasileiro. Na atualidade, a despeito dos avanços inegáveis do ECA, por exemplo, o seu texto ainda traz a punição/violência travestida de medida educativa. Sociedade e Estado brasileiros permanecem adotando este tipo de abordagem como legítima, para tratar das realidades infanto-juvenis socialmente produzidas e mais presentes em contextos de pobreza e exclusão. Por decorrência, desmistificam toda a normativa construída em nome da proteção e da promoção de crianças e adolescentes.

Como sabemos, a gestão pública e suas políticas, assim como os demais fenômenos sociais, produzem desdobramentos previsíveis e imprevisíveis, desejados e indesejáveis, que fogem ao controle absoluto dos gestores, e também da sociedade. No nosso entendimento, um dos resultados produzidos pela intervenção estatal de natureza disciplinadora/punitiva – por fim, de violência – foi a contribuição efetiva para a geração de um contexto social propício à real assunção, pelos jovens, do papel violento a eles atribuídos. Nesta perspectiva, os jovens têm protagonizado as cenas que alimentam a mídia espetacular, ora como estratégia final de sobrevivência material, ora como última medida de sobrevivência física, ora como único recurso social disponível de afirmação de suas subjetividades.
 
Sobre a produção de juventudes violenta(da)s
 
Pensar o sujeito, no mundo, implica refletir sobre as relações intersubjetivas no complexo das materialidades da vida, inclusive aquelas de natureza social e política, nas quais interesses diversos estão em constante embate e as posições hegemônicas pontuando o tom das realidades experienciadas. Coimbra (2003), ao abordar o assunto, oferece uma reflexão sobre como os indivíduos são construídos neste processo de embates com o mundo exterior:
 
O cotidiano é esvaziado politicamente; as relações de opressão, as explorações, as diversas formas de dominação são invisibilizadas e atribuídas ao território do psicológico, fazendo parte do psiquismo e da vida interior do sujeito. Com forte apoio de argumentos moralistas [...] transformam-se em conflitos, sonhos, ilusões, fantasias e, mesmo, patologias. Estas, não somente são atribuídas ao indivíduo, mas estendidas especialmente a determinados segmentos sociais, como a pobreza e a todos aqueles que destoam das normas e modelos instituídos (p.7).

Desta perspectiva, aquilo que se produz, socialmente, é retraduzido enquanto responsabilidade individual, consubstanciando, portanto, um processo de vitimização do sujeito. Este agora tem a tarefa solitária de se colocar viável socialmente, uma vez que o problema é de ordem individual. O embate do sujeito, no mundo, dá-se em um front polissêmico, inseguro e desafiador, que dele exige complexas habilidades, talentos e recursos – estes, inclusive de natureza materiais, normalmente assegurados pela inserção, no mundo do trabalho. Para os jovens pobres, inseridos em realidades cruas e dispondo de restritas oportunidades, a tarefa se mostra agigantada.

Da problemática posta, um aspecto se faz mister destacar: o mundo capitalista contém uma tensão imanente. Impõe sua univocidade essencial, seu discurso universal, como única verdade. A “concorrência” é a tônica. Ao mesmo tempo, como um contrafactum, promete que aquele que passar pelo “buraco da agulha” alcançará a plenitude, que ganha o nome de “sucesso”, na linguagem que coloca a perspectiva econômico-financeira enquanto centro do diálogo, e o consumo como canal de intercomunicação. Este diálogo é possibilitado pelo universo das relações trabalhistas, difundindo, de forma cada vez mais intensa, a subjetividade do trabalho formal como aquela que expressa a verdadeira natureza do ser humano, e também como a única possível de se deixar existir.

Neste sentido, contextualizando como tal ideário tem sido alimentado na contemporaneidade, Loïc Wacquant (2005, p.5), nos diz que:
 
Por um lado existe a des-socialização do trabalho, por outro a transformação do Estado, e ambas empurram as pessoas a terem uma vida insegura. Então esta dupla insegurança objetiva, do lado do trabalho e do lado do Estado, que já não protege as pessoas da insegurança trabalhista, cria duas formas de insegurança. Uma é a insegurança social objetiva, causada pelo trabalho assalariado des-socializado, mas há também uma insegurança mental: quando o trabalho é inseguro, os indivíduos não podem mais projetar-se no futuro por não saberem se terão emprego no próximo mês, isso desestabiliza o mundo mental e cria um grande sentimento de ansiedade na sociedade. [...] Isto cria uma grande corrente de insegurança dentro da sociedade, relacionada à insegurança do trabalho e relacionada à não vontade do Estado de proteger dessa insegurança, o que gera uma demanda na população por estabilidade de vida.[grifo nosso] O Estado responde a esta demanda de estabilização fornecendo polícia e políticas penais. O Estado diz "nós não vamos mais dar um trabalho garantido, ou uma renda garantida, ou uma assistência social garantida, porque não é isso que o Estado faz agora, mas daremos um fim à população de rua e aos criminosos dos seus bairros, etc. Responderemos sua demanda por segurança social fornecendo segurança criminal.
 
Para a juventude pobre órfã do Estado e rechaçada pela sociedade, carente das relações familiares como mediação fundamental, sejam elas presentes ou ausentes (nas situações de abandono) – as contingências postas, em grande parte dos casos, são mais agudas e complexas do que ela pode administrar. No momento em que a vida está a lhes exigir definições existenciais (identidade sexual, formas de sobrevivência e de sustento, isto é, "profissionalização", inserção em grupos sociais etc), encontram-se em um contexto no qual existem poucas certezas, muitas indefinições e instabilidades. Estes jovens não sabem se terão comida no dia seguinte, se seus familiares e amigos estarão vivos ou quando serão vítimas da violência urbana, familiar, policial. A vida se torna algo incerto, produto absoluto do momento presente, palco de negociações sumárias, em torno das possibilidades do agora.

A radicalidade da situação posta dificulta o delineamento de um projeto de vida gerador de sentido à existência dos jovens. Retira-lhes qualquer segurança quanto ao futuro, enredados que estão no imediatismo da luta pela sobrevivência. Como não poderia deixar de ser, particularmente, imprime contornos específicos à forma como os jovens vivem e resolvem seus conflitos subjetivos e sociais.

Compungidos a uma determinada inserção social – na qual o ideário existente tem o trabalho como importante mecanismo de afirmação social e, além disso, adotado como critério de normalidade de conduta –, os jovens provindos dos setores empobrecidos se deparam com uma realidade efetiva de ausência de postos de trabalho/emprego, somados à fragilidade pessoal quanto aos requisitos cobrados para assunção das vagas que ainda são oferecidas. Neste mesmo contexto, são acossados a oferecer respostas a si mesmos e à família/comunidade/sociedade acerca da sua contribuição simbólica e material. O tráfico aparece para muitos como o lugar onde podem assumir a condição de sujeito ativo, lugar de ancoragem, de alguma segurança frente ao ambiente geral de insegurança produzida. Enquanto o Estado declina da responsabilidade e a sociedade dá as costas aos jovens pobres, o tráfico os recebe de braços abertos.

A realidade acima considerada tem feito com que os jovens apareçam diretamente implicados na ampla divulgação social, particular e fortemente através da mídia, da cultura da insegurança vivida nos tempos atuais. Termos como “violência”, “terror” e “medo” têm presença inarredável na retórica jornalística sensacionalista brasileira, que identifica a relação entre a sociedade e o crime com um estado de guerra. O crime ressaltado é o crime dos pobres, diga-se, dos jovens pobres. É em relação à “violência” da pobreza que a sociedade se encontra “refém”, “aterrorizada”, “afrontada”.

Em Teresina, encontramos uma situação emblemática. Fato como a aposição de grades, nas aberturas dos pequenos comércios das periferias sustenta o discurso sobre a prisão dos moradores e comerciantes, em função do medo difundido, advindo de ameaças, de boatos de origens incertas e, particularmente, os riscos que dizem correr em relação a grupos de jovens, as ditas ‘gangues’. Normalmente, constam das listas acusatórias dos programas policiais, sendo apontados, publicamente, como algozes de atos de violências na completa ausência de investigação, processo e julgamento.

Na sociedade autoritária, que insiste em retirar a visibilidade de vários segmentos sociais, quando se fala na “pessoa de bem”, faz-se referência à inclusão, à harmonia, ao trabalho e à família normatizada, enfim, realidades de apenas alguns grupos sociais, impostas aos demais. Esta forma societária ideologizada e hegemônica como norma é, para a imprensa e os planejadores da segurança pública, a sociedade, a “boa” sociedade, modelo que uma determinada visão de mundo busca implantar e sustentar, como a forma única de relacionamento entre agentes sociais. A má sociedade é a dos “bandidos”, dos “traficantes” e de todos aqueles que, de algum modo, desvirtuam este padrão de relacionamento social. Quaisquer outros modelos são desautorizados e indesejáveis, embora originários da complexidade desta mesma ordem. Frequentemente resultam da efetividade de ações que tomam corpo, a partir da ausência ou negação de outras práticas sociais pelo modelo hegemônico.

Assim, a síntese é inevitável: a boa sociedade é a dos burgueses, e a má sociedade é a de todos os outros. Aquela “é”, esta “não é”. No entanto, a estas duas construções de sociedade subjaz um jogo entre criador e criatura, no qual a sociedade da ‘maldade’ é gerada e alimentada pela da bondade, por meio de instrumentos econômicos, ideológicos, midiáticos e simbólicos, dentre outros. Além disso, a manutenção da má sociedade é condição sine qua non de sustentação de discursos e práticas da boa sociedade, muitas delas de viés autoritário e violento, para com os grupos ‘inimigos’. Ontem e hoje, diversos destes grupos são formados por jovens pobres das periferias das cidades, e em Teresina não é diferente.

Parte significativa das juventudes – e no sentido aqui tratado, a juventude pobre, seja de forma individual ou grupal, nas ditas ‘gangues’ – é constantemente colocada, no discurso produzido pela normalidade, como protagonista de ações pautadas na violência, como sujeitos causadores do medo e do terror aos moradores da cidade. Acerca da violência social e violência de Estado, que se abate sobre crianças e jovens do Brasil, os discursos da ordem têm pouco a dizer; optam pelo silêncio. Na contingência de tomar alguma medida, diante de eventuais esgarçamentos de pactos de convivência social, as elites agem no sentido da manutenção da lógica autoritária/de punição, como aponta Wacquant: “Já não podem garantir empregos nem assistência social, então o que garantem? Bem, para compensar a falta de legitimidade do Estado, os políticos têm oferecido mais polícia, justiça criminal e prisões.” (2005, p. 5); “o Estado se faz presente, reafirmando sua autoridade no campo penal para compensar a crescente impotência e ausência de poder do Estado em um campo social e econômico. (2005, p. 6).

Mas isso ainda não é tudo. Outra estratégia bastante comum das elites é a trivialização da tragédia social da juventude. Telles (1999) assinala que, em realidades transformadas em paisagens, a pobreza tem sido banalizada, tornada fato palatável com o qual se convive – com um certo desconforto, é verdade –, sem que as responsabilidades individuais e coletivas sejam interpeladas. A banalização da situação de miséria, que transforma os marginalizados em fenômeno natural, sendo explorados sob a marca do espetáculo pela mídia mundial, é, de fato, algo comum e recorrente no cotidiano das cidades. O Brasil se torna notícia, quando chacina seus meni¬nos de rua, quando incendeia pessoas dormindo nos bancos das praças, quando jovens matam jovens em conflitos do tráfico, nos morros brasileiros.

As favelas do Rio de Janeiro são passeio turístico obrigatório. Fazem parte de clips de Michael Jackson, porém, na opurtunidade, consubstanciam uma idéia de cenário e não de realidade crua, experienciada por seus moradores, com todas as feridas e dores individuais e coletivas, muitos deles jovens. Esta transfiguração em cenário irreal ou, se quisermos, hiperreal, esconde, atrás de si, situações e formas de existência subumanas, em contextos vivenciados, cotidianamente, por determinados grupos sociais, ensejando que a criminalidade surja como um elemento-chave, nos processos de sobrevivência física e, mais do que isto, de subjetivação e identificação.

Eis a matriz da chamada incivilidade, posto que, ante este cenário, a pobreza aparece como símbolo de “inferioridade”, de pequenez, de embrutecimento. Aqueles pertencentes a estes núcleos normalmente experimentam lugares muito aquém das regras de igualdade que a formalidade da lei e o exercício do direito deveriam concretizar. Podemos constatar tal afirmação ao analisarmos a violência policial que, na sua aplicação, deixa patente, de público, que nem todos são iguais, quando, dioturnamente, violam-se os mais elementares direitos civis, normalmente, das populações pobres. Ao discutir a grave situação da incivilidade, Santos (2006, p. 334) afirma que:
 
Trata-se da segregação social, através de uma cartografia urbana dividida em zonas selvagens e zonas civilizadas. (...) Nas zonas civilizadas o Estado age democraticamente, como Estado protetor, ainda que muitas vezes ineficaz ou não confiável. Nas zonas selvagens, o Estado age fascisticamente, como Estado predador, sem qualquer veleidade de observância, mesmo aparente do direito. O policial que ajuda o menino das zonas civilizadas a atravessar a rua, é o mesmo que persegue e eventualmente mata o menino nas zonas selvagens.
 
A realidade posta no estado do Piauí e na cidade de Teresina evidencia um quadro similar àquele que preocupa o autor. Da parte do Estado, configura-se a inexistência de políticas públicas de atendimento aos jovens em situação de grave vulnerabilidade – mais especificamente, aqueles que se encontram enredados no tráfico de drogas –, que leve em consideração mínima o seu entendimento de mundo e de vida, os percursos que não escolheram e os processos a que foram compungidos vivenciar. Restam-lhes as políticas de segurança pública, que se orientam pela lógica da panoptia, do triângulo asséptico que liga pobreza à violência e à criminalidade, levando os jovens a um ciclo vicioso de cadeias, penas e violência policial cotidiana. A história já pode demonstrar que esta conduta institucional não resolve o problema da segurança pública e tampouco aqueles de natureza social que vitimam os jovens, mas os expõem fortemente aos valores e regras e ao controle direto do tráfico. Este labirinto engendra realidades de violação variadas, vindas de diversas origens, sem rosto, voz ou nome aparentes, as quais deixam profundas marcas no acontecer das vidas juvenis. No fogo cruzado, os jovens passam a sobreviver como podem, inclusive praticando violências contra si e contra os demais.

É a juventude pobre brasileira e teresinense à deriva, vítima da violência estatal que, ao tempo em que ignora as demandas sociais mínimas postas pela situação de desproteção dos jovens, culpabiliza-os pelas condições de insegurança em que vivemos socialmente, colocando-os na linha de tiro de ações autoritárias e policialescas. Este assunto, no entanto, não dá audiência à mídia do espetáculo. Mudemos de pauta...

REFERÊNCIAS

COIMBRA, Cecília M.B.; NASCIMENTO, Maria Lívia. Jovens pobres: o mito da periculosidade. In. FRAGA, Paulo César Pontes, LULIANELLI, Jorge Atílio Silva (orgs). Jovens em tempo real. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

COIMBRA, Cecilia M.B.; BOCCO, Fernanda; NASCIMENTO, Maria Livia. A segurança criminal como espetáculo para ocultar a insegurança social: entrevista com Loïc Wacquant. Rio de Janeiro: 30 de setembro de 2005. mimeo.

COSTA, Marcondes Brito da. As Subjetividades do Jovem Infrator na passagem pela Liberdade Assistida. 2005. 66f. Monografia (Ciências Sociais).Universidade Federal do Piauí– UFPI, Teresina.

FOCAULT, Michael. Vigiar e punir: a história da violência nas prisões. 8ª ed. Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis, RJ: Vozes, 1987.

PASSETTI, Edson. Violentados: Crianças, adolescentes e a justiça. 1ª ed. São Paulo: Editora Imaginário, 1999.

RIZZINI, Irene. O século perdido: raízes históricas das políticas públicas para a infância no Brasil. Rio de Janeiro: Santa Úrsula/Amais, 1997.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A Gramática do Tempo: para uma nova cultura política. 1ª ed. Rio de Janeiro: Cortez Editora, 2006.

SILVA, Valéria. Constituição identitária juvenil: o excesso como produto/resposta ao não-lugar, à efemeridade e à fluidez. Revista Política&Sociedade. Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política. Vol. 5, n° 8. Florianópolis: Cidade Futura, 2006.

TELLES, Vera da Silva. Direitos sociais: afinal do que se trata? Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1999.

VELHO, Gilberto. Projeto e Metamorfose: antropologia das sociedades complexas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

MÊS DE REFERÊNCIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA: LADAINHA NOVEMBRO NEGRO

LADAINHA - NOVEMBRO NEGRO
Ladainha: Novembro Negro – Negro Pensa, Negro Chama, Negro Luta !!!
Áureo João. 43. Teresina/PI, Novembro de 2010.

1.
Levanta a cabeça Chico Nêgo, que o branco inimigo nos espreita da moita, dos campos e rochas, dos escritórios e do castelo;
Avisa Manoel que o inimigo do quilombo de lá é o mesmo de cá e de acolá;
Faça a roça, faça a roda; faz a reza, faz a mandinga e faz a luta!
Tenha muita fé em Deus, em Nosso Senhor do Bonfim, em João Batista e Santa Bárbara; pague promessa a São Francisco, romaria a Santa Cruz e preces a Nossa Senhora, mas não perca a fé que é de nós mesmos de nascença e de raiz, que é de nosso saber e de nosso fazer; fé em nossa força própria;
Chame as pretas velhas e os pretos velhos para nos ensinar experiências; as crianças para encantar a roda e limpar da vida a quizila que não é para ficar; os caboclos guerreiros e mensageiros vão na frente, vão abrir caminhos que a luta vai passar;
2.
Acorda Maria, o caminho da roça de quilombo é estreito e tem muita treita, mas caminho feito é para caminhar; quilombo é para quilombar;
Ginga mestre, que nem gato de sete vidas e passarinho ligeiro, mas também joga a vida como cobra coral; não assusta quem não é para assustar; não derruba o que não é para cair e não mata quem não é para morrer;
A luta foi anunciada desde a história cedo e não tem hora exata nem jeito certo para terminar;
Luta começada com negro só acaba quando acabar; só acaba se negro acabar;
Começa na hora e acaba na hora, não antes da hora, nem depois da hora; mas há luta necessária agora!!!
3.
Dobra o joelho Zé!!!
Dança um batuque, um samba de roda, um pagode do morro e de roça, um tambor de crioula e de mina, um reggae Jamaica ou maranhense, uma leseira, uma samba de cumbuca, um baião de Alano do Forró;
Ajoelhe na roda de preto e faça uma reverência ao tambor; cante uma cantiga de negro, uma toada de índio, uma música de branco;
Mas não se curve ao rito do senhor branco etnocêntrico, daquele branco que desbota o significado de nossa tinta, enfraquece nossa força, muda nota de nosso ritmo, estranha nossa ginga, rouba nossa alma, cerca nosso quilombo, nega nossas identidades;
Ainda que seja em tempos de outrora, mesmo que seja na pós-modernidade branca de agora, tão nova e tão antiga;
4.
Assunte reza cantada, reza gemida; reza de amor, reza de guerra; reza benzida e cruzada; reza que levanta negros e encanta negras;
Assunte a reza de agouro e peça agô e axé da proteção de raiz para fechar o corpo;
Negro que conhece a reza não pede bênção e não abaixa a cabeça para qualquer um benzer e abençoar;
Bispo que reza em reza numerada, contada em algarismo, crucifixo de metal com laço no pescoço e amuleto de moedas no bolso, essa reza salva negro morto para morar no céu do senhor, mas não liberta negro vivo aqui na terra; na terra que negro pisa, vive a roda, faz a roça, dança os pontos que pode contar e canta para ser feliz;
Assunte a quizomba que é boa, ria o riso de festa e da luta, ofereça gargalhadas de criança ao vento, mas assunte o endereço do vento que traz a gargalhada que nos agoura má colheita e nos zomba;
5.
Nem toda hóstia oferecida por padre é sagrada, nem todo santos é santo; tem negro novo que suspeita e duvida, tem negro velho que garante;
Água benzida por pastor não é benta para todo negro, nem serve ao banho de toda negra; só sabe quem assunta as águas, só conhece quem sabe a ciência da reza;
O vinho do bispo tem veneno, a pregação é dissimulada, o riso é fingido, sua comida dá remorso e indispõe as gentes; melhor não comer nem beber; negro livre não pede nem aceita, se aceita não gosta;
Ginga de banda, negro; gira de lado que nem besouro mangangá, mas não vire as costas para onde não deve virar;
Mas também não coma comida, não beba bebida e não banhe o banho, com a oferenda oferecida, sem assuntar a reza que lhe faz a encomenda;
6.
Mandinga negro, gira na roda do quilombo mundo; gira o mundo na roda;
Um bode foi sacrificado, seu sangue bebido em oferenda por Capitão-do-mato;
Pássaro que é livre voa para ver o quilombo quilombar;
Sibito que é livre voa como besouro no ar para ver o quilombo de lá, de longe!!!
Voa tiziu, voa pardal, voa azulão, voa canário, voa gavião, voa sabiá, para quilombo quilombar;
7.
A luta não é fácil, mas tem que continuar;
Nos quilombos com nomes de bichos, de caminhos das águas, de plantas, de gente e do santo que houver;
No Quilombo dos Macacos; dos Cavalos; das Onças; das Emas; das Lagoas; do Sumidouro; do Brejão; dos Kalungas; dos Silva; de Conceição das Crioulas; Alcântara; Marambaia; de São João; Santo Antônio; São Joaquim; Santa Maria da Codipi, Irmã Dulce; nos Quilombos de Dandara e Zumbi dos Palmares;
Luta começada por negro só acaba quando acabar;
Luta de negro só acaba se negro acabar;
8.
Não descuida negro, a colheita é boa, mas apenas começou;
Muita eira há de se levantar; há muito que plantar; muita obra que fazer;
Não há rocha dura nos campos que não possa ser quebrada, nem castelo branco que não possa cair; muita coisa plantada, a colheita há de vir,
Regue a rosa, acenda uma vela para o santo, sapeque um jucá e segure o patuá; a mata é grande e a pedreira é certa;
Mas a vereda tem que ser aberta até acabar e só acaba quando a luta acabar, no quilombo do mato, na mata do quilombo, no quilombo da cidade, no quilombo da favela e no quilombo das mentes da gente;
9.
Negro e negra de luta não passam na encruzilhada sem se benzer!
Tem Capitão-do-mato no mato, de toda cor e de toda altura;
Tem Capitão-do-mato na selva de pedra, vestindo terno e formatura;
O senhor da fazenda tá mudado, anda em carro com muitos cavalos, maquiagem no rosto, roupa fina e mais de um celular no bolso;
Mas o senhor e o capitão guardam herança do passado no presente. Continuam vendendo negros, sustentando luxo à nossa custa e controlando coisas de nossa vida;
10.
Tem Capitão-do-mato e Senhor de Engenho, com carta de engenheiro ou de doutor, comandando chefias nas repartições de governo, por merecimento político e experiência comprovada;
Quando o governo açoitava negro, Capitão-do-mato e o Senhor executavam em harmonia, sem duvidar do mando certo. Se o governo diz que respeita negro, intermediários se revoltam; o Capitão-do-mato e o Senhor da Fazenda trancam portas das entradas e de saídas; no engenho e nas repartições do governo;
E, como nos tempos em que andou Zumbi dos Palmares, a Carta de Alforria do quilombo continua muito rara e muito cara; há documento lavrado com a sabedoria de senhor de escravos; tem que passar no agrado de Capitão-do-mato, rubricado por capataz, encaminhado por outro Capitão-do-mato e coordenado por latifúndio, antes que governo possa assinar;
Acontece coisa que negro não pediu para ver. Menino que nem era nascido já carrega barba no rosto; tem negro que ri para não chorar; tem negra que ri e o coração chora;
Mas enquanto senhor de escravo e capitão-do-mato tiverem mando nas fazendas de latifúndio e nas chefias de repartições de governo, negro velho não pode dormir na virada da meia noite; geração nova não pode dormir muito cedo e acordar para a vida de negro muito tarde;
11.
Cuida negro, segura o patuá e entra desconfiado na repartição do Governo, o Capitão-do-Mato de espera em mesa grande, cadeira macia, sala refrigerada; comendo nosso dinheiro e dando risada para negro assistir; muita conversa fiada e pouca tinta na caneta para escrever história de negro;
Povo negro dos quilombos, vilas e favelas, palácios e palafitas, onde negro houver,
Negros e negras têm direitos deste sempre, até de vacilar,
Mas não deve usar o direito de fugir da luta que é sua própria, de derrubar negro que não é para cair, nem matar o que não é para morrer;
O inimigo certo é grande, é sabido, é treiteiro, é poderoso, tem nome e sobrenome desde as capitanias e sesmarias, tem endereço visto, tem a cara limpa e ronda nosso lugar, com armas na mão ou sorriso bonito no rosto e dinheiro nosso no bolso;
12.
Há branco amigo de nossa luta; há branco que luta nossa luta; há branco fingido, traiçoeiro;
Há índio no quilombo, na tribo e no terreiro,
Há negro covarde ou ingênuo, que vacila; a gente não gosta, mas tolera seu direito;
Mas coisa de negro é de negro, luta de negro é de negro; negro faz; negro sabe;
Luta começada por coisa de negro só acaba quando acabar; só acaba quando o motivo acabar.
13.
Cultura de negro também pode ser de branco, se a troca for boa e o branco zelar;
Coisa de branco também pode ser coisa de negro, se negro puder escolher e gostar;
O que é de branco, branco vigia de noite e o dia,
Mas o que é de negro, negro tem que achar, tem que pegar; tem que salvaguardar;
Negro acha a si mesmo; negro se acha na vida e mundo que é seu; e só para de achar quando não houver mais o que achar;
14.
Com as forças de Alá, Jesus Cristo, Buda, Oxalá e Yemanjá,
A cidade é selva de pedra;
Nós estamos aqui e não vamos correr dos perigos,
Na pedreira de ferro e cimento, a justiça de Xangô há de reinar,
E filho seu roda na roda e fora da roda, mas seguro não cai.
15.
Vovó Acotirene tem razão!
Luta entre negros irmãos é importante e, às vezes, necessária e estratégica ou a vaidade determina;
Negro combate com outro negro já nos tempos de Zumbi e Ganga Zumba, mas também nos tempos de agora;
Mas em território de combate com o colonizador branco etnocêntrico, essa luta entre negros não tem negro vencedor; não tem negra rainha; não tem reinado negro que se sustenta;
Luta começada em defesa de negro só acaba quando acabar o que defender; só acaba quando o inimigo verdadeiro recuar e cada lado ficar no seu lugar; cada negro ficar em seu lugar; e cada negro tiver a cota que lhe cabe!!
16.
Luta de negro é luta de quem pode lutar;
Luta de quem ama e respeita a vida, que é bela; ou por causa da morte que ronda;
Mas caminho feito é para caminhar;
Luta começada com negro só acaba quando acabar;
Só acaba quando negro quiser acabar!!!
... ... ...


Axé!!! Axé!!! Axé!!!
Ladainha para nossa reflexão durante o mês de novembro – mês de referência da consciência negra.