quinta-feira, 3 de abril de 2014

Pedro José de Alencar (2013). O BÁCULO DO MAGO E O CALDEIRÃO DE MEDEIA

O BÁCULO DO MAGO 
E O CALDEIRÃO DE MEDEIA
Pedro José de Alencar (2013)



Parece pequena a vida de um só,
como um dia/noite.
Continuar na vida dos outros
é enganar-se com a ilusão do amor.

A paixão é tudo para o corpo apaixonado;
fugaz momento do gozo,
parece eterno antes da madrugada chegar;
a madrugada parece eterna antes do gozo chegar.

E se ele não vem,
dia que chega é cheio e vazio,
na esperança da noite que vem.

Parece egoísta o corpo apaixonado,
faz a razão curvar-se ao seu capricho,
esquecer que existe algo mais.

E a mente? O que faz!?
Rende-se à beleza ou sucumbe na emoção,
compreende e transcende,
vibra no mesmo bordão.

Entretanto, no céu estrelado da madrugada,
os mestres clareiam e firmam
os laços de luzes
das mentes amantes.



REFERÊNCIA:
ALENCAR, Pedro. Exsicata: coletânea de arroubos poéticos e outras loucaventuras alquímicas. Teresina: Gráfica Arco Íris, 2013, 116p. [Poema "O báculo do Mago e o caldeirão de Medeia", p.69].
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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Pedro José de Alencar (2013). EXSICATA. O Livro

EXSICATA
O Livro.
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REFERÊNCIA:
ALENCAR, Pedro. Exsicata: coletânea de arroubos poéticos e outras loucaventuras alquímicas. Teresina: Gráfica Arco Íris, 2013, 116p.
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Recomendo aos leitores deste Blog que adquiram esta obra. Não é um livro só de poesias. Trata-se de tematização de grandes questões da existência humana e do além-humano. Podemos dizer que é uma obra de Filosofia, da Antropologia, de Psicologia, de Ecologia, de Espiritualidade e de reflexões poéticas. Aqui há um filosofar de poeta e um poetar de filósofo.

Para uma noção elementar sobre o conteúdo da obra, estamos publicando uma série especial com 10 (dez) poemas constantes da obra. É uma preliminar para ajudar o leitor a encontrar os encantos que o escritor Pedro José de Alencar nos presenteia com seu livro.
Áureo João.
Poeta e Assuntador.

Pedro José de Alencar (2013). HAI KAI AO TEMPO.

HAI KAI AO TEMPO
Pedro José de Alencar (2013).



Parado voo
o beija-flor
fulô cheirou
vida bebeu
ficou o amor.

Longe do tempo
a queda d´água
molhou o vento
lágrima enxugou.

Na curva do riacho
murmúrio rio abaixo
as pedras cantam o rio
Aonde o tempo passa?

Somos nós que passamos o tempo,
quando ouvimos o vento
e a canção que a água trás.

A aurora e o por do sol,
mágicos momentos, portais cósmicos são.
Ciclos que abrem e fecham dia e noite,
como a aurora e o por do sol em nós.

Sol e Lua temos no firmamento,
para guiar-nos na caminhada do tempo.
De que adiantaria isto, se não vemos
o por do Sol, o beija-flor e não ouvimos o vento?



REFERÊNCIA:
ALENCAR, Pedro. Exsicata: coletânea de arroubos poéticos e outras loucaventuras alquímicas. Teresina: Gráfica Arco Íris, 2013, 116p. [Poema "Hai Kai ao Tempo", pp.101-102].
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terça-feira, 1 de abril de 2014

Pedro José de Alencar (2013). PRESSÁGIO.

PRESSÁGIO
Pedro José de Alencar (2013)




Entregamos uma vela aberta
no mar de águas sombrias...
Tanto pode vir o vento
como pode vir a calmaria.

Roga à Virgem o barqueiro
crente que a santa mãe vigia.

Ouro e Prata a barca carrega
lacrado em latão e alumínio,
estanho, chumbo e ferro.

Recobrem "VRIL", o velho mercúrio
e seu forninho alado

Outro azougue não é
senão o soma sagrado...
água que mata a sede
dispersa por todo lado.

Funde e molda metais, seu fogo
deu-a Cristo a Madalena
perfumada de mirra, sândalo e incenso.

Um templo humano adentro
sacrifício de amor, um altar repleto de natureza.

Roga divina proteção, o piloto
mesmo quando joga perlas aos porcos
lembrando que quase foi um nas garras da velha Circe.

Segue em paz, pois tudo passa
seja infortuno ou boa ventura
Diz um: tudo é Sansara; diz o outro: tudo é Brahmam.




REFERÊNCIA:
ALENCAR, Pedro. Exsicata: coletânea de arroubos poéticos e outras loucaventuras alquímicas. Teresina: Gráfica Arco Íris, 2013, 116p. [Poema "Presságio", pp.12-13].
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segunda-feira, 31 de março de 2014

Pedro José de Alencar (2013). Morte e Vida

MORTE e VIDA
Pedro José de Alencar (2013)

Desafio da vida
vive nas veias da noite,
corre na sela da morte,
acorda ao raiar do dia.

A lâmina que arde na carne
fere, corta e afia;
desata o veio da vida,
remata ao findar o dia.

Então vem a noite sorrateira,
uma pequena morte por dia.
Se o corpo morre, no sono,
a mente escapa sem guia.

No veio dos que dormem tarde,
nas veias dos que muito sonham,
amor mata a morte,
a noite engendra o dia.

Na pequena morte diária,
sonho transporta a vida ao futuro,
mesmo esquecido na luz da batalha,
perdura a semente gerada no escuro.

Como o amor foge à razão,
e ao mesmo tempo a procura,
a razão busca o amor e o chama de loucura.

A luz que nasce do sonho
parece que finda o dia,
aparenta àquela da aurora
que aos olhos fechados arrelia.




REFERÊNCIA:
ALENCAR, Pedro. Exsicata: coletânea de arroubos poéticos e outras loucaventuras alquímicas. Teresina: Gráfica Arco Íris, 2013, 116p. [Poema "Morte e Vida", pp.19-20].
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 Para melhor deleite poético, recomendo que você adquira o livro e adentre-se ao portal e caminhos das subjetividades que só as sensibilidades refinadas podem materializá-las em letras, versos e poemas.
Teresina - PI, 31 de março de 2014.
Áureo João
Poeta e Assuntador.

domingo, 30 de março de 2014

Pedro José de Alencar (2013). EXSICATA

EXSICATA

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Botão em flor, colhido ao fruto
Folha, fruto e raiz
Temporariamente guardados no frio escuro
para não perder cor, cheiro, forma e sabor.

Na urdidura do tear da vida, tear divino, puro
Divina Tecelã e fiandeiras
da vida colhem o melhor
Levam poetas e gênios, para si;
quase sempre muito cedo.

Da luz increada para a luz
Rouba o poeta a poesia
dando vida ao obscuro
cor à luz da vida, policromia.

Como aquele que subiu ao Olimpo,
roubou o fogo e deu aos homens
Poetas foram acorrentados a grandes pedras
por verem do homem a luz e a sombra.

Unindo-se ao espírito em busca da alma
roubando da morte a verdade escondida
entregam-na como flores colhidas no escuro
entregam-na à noite na certeza de um novo dia.

Fria exsicata, colhida tão cedo da vida e do tempo
guardaste em ti o calor da alma ao vento
as belezas que aos olhos do poeta, e ao seu coração,
fora insuportável de guardar só para si
Sem medo de ser feliz, partilhar sua visão de mundo.

Louco poeta que enfrenta a fúria do tempo
Como uma pena que enfrenta o vento, leve como a alma.

REFERÊNCIA:
ALENCAR, Pedro. Exsicata: coletânea de arroubos poéticos e outras loucaventuras alquímicas. Teresina: Gráfica Arco Íris, 2013, 116p. [Poema "Exsicata", pp.46-47].
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Pedro Alencar tu és pedra. Grande humanidade, rara inteligência. Um poeta, um naturalista, um amante da sabedoria com os quatro elementos constituintes do universo mais o universo e mais os habitantes do universo, visíveis e perceptíveis com refinada sensibilidade. Aqui, tu és um interlocutor que rouba a admiração de quem sabe e sente a razão primeira, as razões secundárias, as razões sem razão, as razões perdidas e as razões nunca achadas; mas também as emoções sutis, a espiritualidade livre do império das religiões e a comunicabilidade com os humanos comuns e as excepcionais criaturas humanas; mas ainda com as divinas criaturas incriadas e os  semideuses.
Pedro José de Alencar - humano, poeta - é meu amigo, perante quem dobro-me em respeito e prezo sua amizade.
Teresina - PI, 30 de março de 2014.
Áureo João
Poeta e Assuntador.