sexta-feira, 26 de abril de 2013

SAUDADE ENCANTADA poema poesia e filosofia



SAUDADE ENCANTADA
Áureo João de Sousa. Teresina, 25 de abril de 2013.



Procurei...
não encontrei o meu amor
e, prá não chorar,
vou conversar só,
vou falar de flor e não de dor,
vou desenhar, riscar e rabiscar, sem hora de parar,
pintar um colibri e borboletas de todas as cores,
pentear os cabelos,
sentir o vento na janela.
Eu vou sair,
vou caminhar,
andar em círculo
seja por onde for...
Eu vou... eu vou... não posso parar.
Vou pintar estrelas,
mitos e constelações.
Eu vou sorrir no espelho, só...
prá não chorar ...
da saudade de você.
Vou fazer letras no tempo,
música no vento,
um poema de criança
no retrato do tempo, junto ao meu e ao seu...
só prá não chorar de saudade de você.
Eu vou riscar o horizonte
com a luz do meu olhar,
grafitar gravuras no alto do céu,
com tintas da imaginação,
só prá fazer você lembrar
da saudade que eu sinto de você.
Mas, seu eu chorar,
vou regar as sementes e as flores,
saciar a sede do colibri,
molhar o vento e o tempo;
e que a chuva não seja maior do que mereça,
e o sol não cesse de brilhar;
vou conversar só,
vou falar de amor e não de dor.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O MAGO E A PARÁBOLA DO SOL poema poesia e filosofia



O Mago e a parábola do Sol
Áureo João de Sousa


Olha através do sol, desfiados fios,
Da cor da noite e do dia,
Amor que faz em órbita solar, no fio
Rara fusão, ungia magia, de astros e corpos
Ascende com o sol e anuncia na noite
Teu brilho sereno em firme olhar, um brio
Urânio, ouro, diamante negro, astros e corpos
Som zumbido, gemido, cantado, sorrido, o Sol e a Noite
Isis tem o sol, sem véu
Lua com a noite
É Ilha de amor, um feito dos deuses, com Sol e Noite
Ouro de Oxum, João e de Maria se eleva, num cio, um brio, um brilho no céu
Nasceu filha de encantos, embalada no canto dos deuses, de noite
À magia das deusas, em profanos e sagrados cios
No falo do Sol
Ante a alma e no cálice da Noite
Teus doze de espera, anos de luz
Um dia encandeou, encadeou, chegou à vida
Som zumbiu, gemeu, cantou, chorou, sorriu, deu luz
Iemanjá lavou seu choro, Iansã abraçou sua vida
Luminou, entre a terra e o céu, vidas
É Ifá! Oh!  dará o que veio dar: linda felicidade e luz
Laços de cores, odores e rufar de tambores
Entoa um canto, num canto, de amores.

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

NATAL ASSUNTADO



*****
Assuntar comporta mergulhar no amor do outro, sem se deixar contagiar de sua manifestação particular dele;
É sentir como o outro sente o amor que é seu, por aquilo que lhe faz amar;
É reconhecer porque o outro ama e, especialmente, como ama e os fundamentos da expressão de seu amor;
Comporta cuidar do seu amor particular e universal, do outro, com o saber cuidar que é, também, de seu particular do outro;
Suporta cuidar do amor do outro, sob o fundamento do outro e o cuidado que lhe é singular; que é de sua identidade, sem fundir-se nem confundir-se com o outro.

*****
Assuntar é encostar-se no ódio do outro, sem nutri-lo nem amenizá-lo;
É compreender as vibrações que enraízam no ódio do outro e as dimensões em que se realizam;
É reconhecer a causa que ativa seu ódio dele e o torna irreconhecível à rasa racionalidade humana;
É reconhecer, sob o fundamento do outro, o que lhe conforta e lhe ameniza o ódio que lhe acomete;
É pensar, sentir e auscultar o ódio do outro como se fosse ele mesmo em atividade de assuntar-se assuntando-se, em pura conjugação reflexiva e empática.

....................
SOUSA, Áureo João de. O ASSUNTADOR. Teresina, 2010.




quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O SOM DA MÚSICA - Literatura afro-brasileira juvenil

O SOM DA MÚSICA
Kaire Vinícios Aguiar Quadros [14 anos], Teresina - PI.

A música faz sonhar
faz viver
divertir
Adentra todo lugar
o coração consegue abrir.

A música faz amor
faz a gente se unir
A tristeza vai acabar
felicidade vai surgir.

O som que
me faz melhor
me faz sorrir
me faz crescer
 nunca me deixa só
dá importância
prá viver.

A música faz erguer
erguer a cabeça prá mudar
passo a passo
vai conseguir
no futuro
 acreditar.
  
 Ao mundo deixa a mensagem
de paz
de amor
de coração
de igualdade
e no futuro
evita
dor.
 ...

POR UMA APROPRIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA NEGRA



POR UMA APROPRIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Cláudio R.Melo

         Chegamos em novembro, mais um novembro para alguns.Creio que acontecimentos como as eleições municipais e a demasiada atenção dispensada para este evento nos coloque a tarefa de repercutir que estamos em novembro. Dentre tantos dias temos o 20 de novembro. O que antes passava como um dia qualquer adquiriu significado de uma causa defendida pelo movimento negro no Brasil. Qual era? A de reverenciar a memória de Zumbi dos Palmares, maior liderança negra da nossa história. Mas essa reverência hoje adquire variadas conotações que vão desde a lembrança de zumbi, passando pela noção de que era preciso extrapolar para além da personalidade do líder. O passado tem uma conexão direta com o presente e vice-versa. Não existe separação aparente entre ambos. Daí  a necessidade de avançarmos para além do culto a memória e ao passado. Aprender sim, partir das lições que nos foram dadas e dar-lhes um significado.
         A consciência é um processo de abstrair fatos, acontecimentos e o que dar sentido a própria vida. É um “estar” no mundo. Consciência negra só existe se incorporamos a percepção de que se pode também construí-la dando-lhe significados. A memória tem importante papel nesse sentido por permitir acessar parte do passado e interpretá-lo a luz da nossa realidade. Consciência se forma e também é formada, só ela nos permitirá reverenciar a memória dentro de um processo de transformação daquilo que nos incomoda dentro de uma coletividade, pois eu só posso mudar alguma coisa se souber quem sou e o que quero.
         Consciência negra? Ainda temos muito que construí-la. Estamos ainda vivendo uma fase da história em que os direitos são contestados e não respeitados. Em que a naturalização da violência tem interrompido a caminhada de milhares de irmãos, sendo alguns desses atos motivados apenas pela intolerância à diferença e pela efetivação cada vez maior das desigualdades sociais existentes. Martin Luther King já dizia que a realidade não o impedia de sonhar com uma sociedade em que o caráter não estaria impregnado na cor da pele. Todos esperamos por isso, sem esquecer que é necessário ação construtiva. Que seja transformadora e até mesmo transgressora quando necessária.
         Para além da lembrança do dia 20 de novembro, temos a imensa tarefa de fomentar a construção dessa consciência negra em todos os locais por onde transitamos. Defender o que foi instituído via políticas públicas, assegurando o seu cumprimento e ampliação. Só uma sociedade que incorpora a atitude de defesa da diferença é capaz de compreender qual a verdadeira importância disso para todas as pessoas que a compôem indistintamente. Isso só acontece com a pactuação e a apropriação de um compromisso formal entre todos os sujeitos sociais. Acima de tudo, com consciência.