terça-feira, 31 de dezembro de 2013

CONJUGAÇÃO DO TEMPO VIDA



CONJUGAÇÃO DO TEMPO VIDA
Evannoel de Barros Lima, Teresina – PI, Dezembro de 2013

O tempo perdido não é tempo, pois já foi.
O tempo vencido já foi tempo, pois já vencemos.
O tempo futuro talvez não virá, pois não sabemos.
O tempo presente é o que temos, pois ainda é tempo ...
É tempo de falar
É tempo de bailar
É tempo de sorrir
É tempo de amar
Pois ainda temos tempo...
O passado já foi
O futuro será (talvez)
O presente já é, ainda é, e um dia não será...
O presente só é...
andando...
falando...
amando...
sorrindo...
e morrendo...
no presente...
Vivendo no presente até, finalmente, morrer.
Aquilo que estava no futuro se tornou
Presente
O derradeiro suspiro do tempo
Presente
Para sermos
esquecidos
No passado...

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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O QUE NOS BASTA? poema poesia e filosofia



O QUE NOS BASTA?
Evannoel de Barros Lima, Teresina – PI, Novembro de 2013

Eu não basto para ti,
porém tu me bastas.
Como se o amor por si não bastasse,
necessário se faz a minha presença física mortal, para bastar...
Como se pudéssemos sair vivos da satisfação de amar...
O amor nunca é o bastante.
Será que todo amor dado basta?
Será que suportamos o que nos basta?
Como se não bastasse o amor, ainda te amo.
Todo amor fraterno não basta para mim,
mas será que me basta teu amor de mulher?
Quantas mulheres bastam para um homem amar?
Como se não bastasse amar, o amor ainda está no por vir;
Como se amar fosse assim tão dado;
Pois de tão dado que é, nem vemos o bastar do amor.
Tão vasto amor que é, nem vemos que nos basta.
Tão claro que é, nem vemos a transparência do amor...
Como se bastasse amar por amar...
Agora basta de amor
Assuma-se amando
Como se assumir-se por si não bastasse;
Como se não bastasse somente assumir-se.
Além de assumir-se amando, ainda temos que amar.
Por favor, basta de amor.
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

TOCADOR DE REALEJO

TOCADOR DE REALEJO
Savina Priscila

Com caderninho de papéis azuis
Tocava sons ilustrados de fábulas
de símbolos mágicos

com o místico do amanhã

O tocador de realejo
entoa sons
vestidos de fantasias
embebidos pela poesia
embalados na alegria
com pinceladas de euforia!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O CIENTISTA NU ESPELHO poema poesia e filosofia



O CIENTISTA NU ESPELHO
Áureo João. Teresina, 14 de outubro de 2013

O Cientista é um ente
autocriado,
autocausado,
autodeclarado,
autodivinizado,
autoproclamado...
O Cientista,
se pensa...
se fecunda,
se pare,
se valida...
faz-se um ente de único gênero e espécie...
Fálico.
Por sua própria ciência e com esta só
e sua linguagem restrita, adoece e morre,
só...
O Cientista pensa...
que o mundo todo
e todo mundo
só existe
por causa de sua ciência apenas e
de sua prescrição doutoral.
O Cientista é escultor de si mesmo;
esculpe sua formosura e formatura;
talha sua matéria-prima, como criador e criatura.
Resultam belas esculturas e finas culturas.
Às vezes, não raro,
abestalhadas criaturas.
O Cientista é um devoto fervoroso.
Na sua trindade sagrada,
dogmática dura,
sua religião-ciência tem fé absurda.
Tradição, Método e Linguagem;
e uma comunidade fanática... Referenciada...
Crentes fanáticos em suas crenças,
os cientistas, aos muitos,
à semelhança de religiosos fundamentalistas,
nos tentam fazer crer como eles mesmos, em ismos e centrismos,
e nos aprisionar em suas correntes...
discípulos dos discípulos dos discípulos
e dos mestres que dominam suas cabeças...
nos perseguem pelas desobediências atrevidas, heresias e descrenças
No panteão da ciência-religião,
autores que se pensam deuses, outros divinizados;
livros sacralizados, teorias canonizadas;
academias-senzalas, adestramentos e açoites;
hierarquias, departamentalizações, citações;
rituais e normas, reificações,
valem mais que as vidas cotidianas manifestas...
apenas para os Cientistas mesmos; só.
Os cientistas inventaram
a Ciência e a Técnica,
o cronômetro mecânico,
os seus domínios sobre a Terra e os Oceanos,
e o estado elevado de sua Arte própria,
para nos livrar dos desígnios dos Deuses Todos,
da tentação do Diabo,
e das moradias do Céu e do Inferno,
Mas, agindo como se fossem Deuses e Diabos, padecem nas bestialidades de seus próprios eus apequenados. O inferno de si.
No currículo dos cientistas, há coisas que nos assustam:
Concorrências desnecessárias, às vezes desleais;
melindres, desafetos;
intrigas, ressentimentos;
estresses, muita pressa;
pressão, depressão, transtornos;
infartos; AVC;
aridez afetiva e espiritual,
apologia ao saber-poder;
solidão;
loucuras.
O Cientista fálico,
de razão e objetividade só,
adorador de sua trindade e do culto em si,
é um gênio tolo falador,
um idiotizado com dureza,
que não acha graça nos adornos e coisas simples da vida;
vive sem ternura;
uma besta que se acha culta e superior aos entes demais...
No plantel dos Cientistas,
autodivinizados,
abestalhados,
tolos,
idiotizados
bestas incultas,
há especiais criaturas.


Estas últimas criaturas são humanos que se sabem e nos sentem;
e sabem que sabem, e quando não sabem;
e sentem que sentem,
e intuem,
e poetam,
e riem livres,
e choram soltos,
e se encantam com os encantados,
e nos ensinam,
com ternura e adornos...
como homens, mulheres e pessoas...
e nos tornam melhores !!!...
São as nossas luzes... e nossos espelhos !!!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

TEMPO poema poesia e filosofia



TEMPO
Áureo João. Teresina, 01 de outubro de 2013
aureojoao@yahoo.com.br

Há tempos
que a gente vive
sem tempo...
Porque a gente está preso
em um Templo
tempo,
fica sem o tempo...
Caminhando dentro do tempo
feito alhures e alheio,
não sabemos
andar sem o tempo feito
fora do tempo...
Há tempos
que a gente vive
sem o tempo,
fora do tempo.
Há tempos
Que a gente não tem tempo,
não vê o tempo
e não faz o tempo...
para auscultar nosso curso em nosso tempo, com tempo...
Há bons tempos sensíveis,
com cantos e com encantos,
que doutores das ciências do Ocidente,
desacordados das cordas que os oprimem,
não podem sequer notá-los... e se notarem...
Há tempos que embriagam vidas,
por vidas inteiras; e dão vidas...
Estes, as ciências duras e seus entes sem doçura
não podem anotá-los, nem prescrevê-los,
nem dominá-los, nem desfrutá-los,
porque lhes faltam tempo...
e a sabedoria para andar fora de seu tempo
linear... formal... mecânico... insensível...
Desatento
ao tempo
e à gente mesmo no tempo,
em pouco tempo se vai o tempo
e a gente com o tempo
e não haverá mais o tempo feito
e nem mais tempo para fazer...
Acabou-se
O tempo
Acabou-se
Também...
Mas a Mãe do Templo
em seu templo
há de nos conceder uma última voz ao vento,
antes de evaporar o sopro:
“Ah! se eu ainda tive tempo, eu faria o tempo... dentro e fora do tempo”
Acabou-se...
a doçura
não lhe serve...
o mel é fel.
Jaz-se...
Mas eu não jazerei em sua companhia...
porque eu ainda quero a doçura da vida e do mel...
e a embriaguez da vida, do vinho, do amor e da poesia...

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