quarta-feira, 25 de julho de 2012

IDENTIDADES - poema, poesia e filosofia


IDENTIDADES
Áureo João de Sousa. Teresina-PI, 12 de Julho de 2012.

Estava sentado
na pedreira da existência,
assuntando as águas da fonte,
que umedecem os corpos
e movem os fluxos da vida.
Ao canto de uma pedra,
ergueu-se uma Sereia,
uma voz ecoou,
vindo, não sei ao certo;
perguntou-me:
Quem é você?
Ante as pedras,
sob as forças das águas,
do sopro dos ventos
e da argila vermelha,
eis que eu também interrogo:
Quem sou?
Em anomia,
como um menino assustado,
sob o encanto de sua divina voz,
ó, grande oráculo,
sabes o que tenho a dizer,
só para impressionar,
o que sua sabedoria dispensa de ouvir.
Sou filho da regência do trovão,
na justa medida e conduta;
Feito ao fogo do raio
que rege o devir e o por vir,
profundo e raso, em altura e largura.
Sou filho de Oxum,
banhado nas águas
férteis e fecundas,
guardado nas essências dos lírios;
Sou o canto do sabiá,
encantado,
que encanta as matas
em cada canto que canta.
Melhor dizendo,
Sou o canto do filhote de sabiá,
desafinado e descompassado.
Desafiando as notas e seu tempo,
não sabe, ao certo,
se canta um canto, um piado ou chiado;
aprendendo.
Sou homo-sapiens sapiens,
Mago, Fauno, Sapo,
que come as abelhas que fazem o mel,
que lhe adoça a vida;
contradição da sapiência.
A mesma voz, em outro eco, imponente;
outra pergunta,
profunda e persistente:
A final, quem-é-você?
Ante essa identidade e alteridade,
Interrogo-lhe e me pergunte:
a final, quem sou?
.

terça-feira, 24 de julho de 2012

DIGA NÃO ÀS DROGAS - poema, poesia e filosofia


DIGA NÃO ÀS DROGAS
Áureo João de Sousa. Teresina-PI, 24 de Julho de 2012.

Enquanto há tempo, Diga não às drogas:
Só Jesus salva à toda a humanidade de todos os cantos da terra,
Ele é o único e verdadeiro;
É o único caminho,
A única verdade.
Sem Jesus, Nada Prospera, Nada Pode, Nada é e Nada Será!!!

Diga não às drogas, com a voz de fogo ardente:
Minha religião é a única verdadeira de Deus;
Meu templo, o único lugar que a divindade se manifesta;
Meu ritual, único e certo, sem o qual o mundo caminha errante e falível;
Minha oração, meu mantra, a única linguagem que o sagrado atende;

Diga sempre não às drogas; a todas elas:
A Ciência tudo pode prescrever:
A origem, o meio e o fim,
as partículas que ligam a vida e os limites da morte.
Fora de sua verdade, do seu método e tradição, nada está seguro.
Sem a Ciência, Nada Prospera, Nada Pode, Nada é e Nada Será!!!

Diga não às drogas, sem censura:
Só há saber em meu saber,
Só é lugar o meu lugar,
A história é a minha história só;
As culturas, os modos de ser e de fazer,
Minha cultura basta.

Diga não às drogas, quando puder:
Ao consumo que te consome,
Ao Deus que te come a vida e saboreia tua morte;
À Ciência que te reduz e te aniquila!!!
Ao modo que te molda presa!
Diga não e diga sim, pela melhor escolha
que puder escolher.

Referência:
SOUSA, Áureo João de. Diga não às drogas. Disponível em . Acesso em: 24 Julho.2012.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

VIVENDO DE MÁGICA - Don Piolho


VIVENDO DE MÁGICA
Don Piolho.

Em 2005, cheguei a São Paulo, depois de passar 28 dias em Goiás.
Sem moradia, arranjaram-me um barraco velho para morar;
O aluguel era baixo, embora morássemos no alto;
O pago de um dia era uma palavra “Bom Dia” todo dia;
Daí, comecei a fazer mágica.

Prá você saber,
De um pedaço de cano, fiz uma colher para comer;
De uma latinha de cerveja sem tampa,
cozinhava, eu, a mistura da janta.
Mesmo assim, eu estava contente,
sem namorada nem dor de dente.

Meu chulé ardia como fel;
As minhas meias, forrando, fiz com dois pedaços de papel;
De uma metálica canaleta,
fiz uma frigideira zambeta.
Era uma panela número um,
parecia com um carro de fórmula um.

Batizei-a de nave espacial,
pois cabia dois discos voadores de ovos e uma pitada de sal.
Como pia principal,
eu usava um vaso defecal;
a cama, onde eu dormia um sono gostoso,
tomei de um vira-lata teimoso.

Sinta a situação de coitado:
Minha porta era um madeirite empenado;
como fechadura,
um pedaço de arame que nunca dura;
a cama ficava na cozinha,
coisa de primeira linha.

A sala era também um depósito,
mas isso eu já nem me importo;
Tirando tudo isso,
Eu estou bem.

Nesse tempo aconteceu-me algo estranho:
passei sete dias sem tomar banho;
três ratos me acharam de estimação.
No barraco, tinha dois ratinhos e um ratão.
Você pode achar que eu estou mentindo,
mas isso me foi peça do destino, que eu sei!
Já passou.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O PENSAMENTO É UMA FOLHA DESPRENDIDA


Todo mundo tem o direito de viver cantando.
O meu único defeito é viver pensando
em que não realizei
e é difícil realizar

Se eu pudesse dar um jeito,
mudaria o meu pensar...

O pensamento é uma folha
desprendida  do galho de nossas vidas,
que o vento leva e conduz

é como a luz vacilante e certa;
é como o silêncio do cipreste
escoltado pela cruz.

O silêncio de um Cipreste
Mestre Cartola
(Grande poeta, compositor e cantor de nossa História Afro-brasileira)